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Campo Grande

Moradores se despedem de criança agredida em meio a questionamentos sobre casos de violência

Entre mensagens de carinho, dor e consolo, alguns questionam até quando ocorrerão casos de violência contra crianças semelhantes na cidade

12 fevereiro 2024 - 18h32Por Felipe Dias

Os moradores e amigos do pequeno Jhemerson de Jesus Belmonte, de apenas 2 anos e 5 meses, se despedem desolados da criança após a luta de 20 dias na UTI da Santa Casa em Campo Grande.

Ele estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado gravíssimo, desde o dia 23 de janeiro. O menino foi vítima de agressão pelo padrasto e mãe na casa onde morava no Jardim Los Angeles.

Os moradores chegaram a criar um grupo nas redes sociais para divulgar informações sobre o caso. A notícia da morte foi postada e gerou comoção entre os internautas.

Entre mensagens de carinho, dor e consolo, alguns questionam até quando ocorrerão casos de violência contra crianças semelhantes na cidade. "Meu Deus, até onde vai com tanta crueldade com as crianças?", pergunta internauta.

"Hoje passei na frente dessa casa da foto que esse bebê está. Meu coração corta de dó, misericórdia. Onde vamos parar com tanta crueldade?", questiona outra pessoa.

Outra moradora revela que ainda acreditava que uma melhora fosse possível. "Oh meu Deus, a notícia que não queria ouvir. Acreditava muito em um milagre, mas o Senhor sabe de todas as coisas. Você agora está ao lado do criador, então descanse em paz pequeno anjo", publicou.

Vaquinha para velório

Familiares e amigos da criança estão realizando uma vaquinha para custear os valores do velório e enterro criança. O objetivo é arrecadar o valor de R$ 2.500.

Segundo os organizadores, assim que o valor for alcançado a vaquinha deve ser encerrada. Os parentes e amigos também agradeceram o apoio de todos.

Para quem puder ajudar, a família pede que realize um Pix para a chave (67) 9 9322-0600, em nome de Edileuza Luiz, Banco Pan. Os valores arrecadados podem ser acompanhados pela página do Facebook criada em apoio a criança.

O caso

O menino foi vítima de agressão pelo padrasto na casa onde morava com a mãe no Jardim Los Angeles. A genitora, de 19 anos, e o padrasto da criança foram presos após a polícia analisar as contradições dos depoimentos dos dois e imagens de câmeras de segurança mostrarem que eles haviam mentido sobre o local da queda do menino. 

De acordo com informações de um parente que preferiu não se identificar, os médicos informaram que o menino perdeu massa encefálica e tinha um lado do cérebro paralisado.

Conforme apurado pela reportagem, o menino sofreu um suposto acidente em casa, no bairro Los Angeles.

Segundo a mãe, a criança caiu de um pequeno degrau enquanto brincava com a irmã de 4 anos. Porém, conforme a médica pediatra do hospital, as lesões são incompatíveis com o que foi relatado.

O caso gerou estranheza da equipe do hospital, que acionou a polícia para verificar a situação. Em depoimento aos policiais, a mãe relatou novamente o ocorrido e afirmou estar sozinha no momento do acidente.

Os policiais observaram que a mulher apresentava um pequeno hematoma no olho direito. Questionada, ela disse que foi uma briga de rua, que teve com uma ex-amiga de escola.

A assistente social da Santa Casa reportou o caso ao Conselho Tutelar da região Sul. Foi encaminhado um ofício para o órgão com as observações da médica que fez o primeiro atendimento na criança.

A mãe da criança visitou o filho por dois dias no hospital e sumiu por cinco dias. O padrasto foi encontrado pela Polícia Rodoviária Federal caminhando na pista da BR-262, na terça-feira (30), saída para Terenos. Ele aparentou nervosismo e disse não ter documentos, além de tentar dar dados falsos aos agentes federais.

O homem tido como suspeito das agressões na criança foi levado à Polícia Civil em Terenos e para a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente na Capital, onde foi ouvido e liberado.  

Dois dias depois, mãe e padrasto foram presos por decisão judicial.