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Morre, aos 56 anos, Arthur Maia, referência do baixo no Brasil

Sobrinho do lendário Luizão Maia, músico sofreu parada cardíaca em Niterói e não resistiu

15 DEZ 2018
Globo
17h22min
Foto: Divulgação

Morreu nesta tarde, aos 56 anos, Arthur Maia, uma das referências do baixo elétrico no Brasil. O músico sofreu uma parada cardíaca e foi levado para UPA Mário Monteiro, em Niterói, mas não resistiu.

Sobrinho do lendário Luizão Maia, da banda de Elis Regina, com quem aprendeu as primeiras técnicas no baixo, Arthur acompanhou, ao vivo ou em estúdio, alguns dos nomes centrais da MPB, como como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Djavan, Gal Costa, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Ivan Lins, Luiz Melodia, Lulu Santos e Marisa Monte. Também integrou uma das formações da Banda Black Rio, a banda pop/rock oitentista Egotrip e o quarteto instrumental Cama de Gato, ao lado de Mauro Senise, Pascoal Meirelles e Rique Pantoja.

Primo de Arthur, o também baixista Zé Luís Maia disse ter sido pego de surpresa pala notícia:

— Foi uma parada cardíaca fulminante, tentaram reanimá-lo, mas não conseguiram. Ele era fantástico, a melhor pessoa e músico que conheci, ele e meu pai, o Luizão. E ambos faleceram com 56 anos.

Dono de uma técnica apurada e repleta de versatilidade, Maia trafegava com excelência por gêneros como a MPB, o pop, o jazz e a black music. O músico também atuou como arranjador, produtor e foi secretário de cultura de Niterói de 2013 a 2016.

Sua estreia na carreira solo foi com o disco "Maia" (1990), que lhe rendeu um Prêmio Sharp de Música na categoria revelação instrumental. Ele ainda gravou álbuns como "Arthur Maia" (1996) e "Planeta música" (2000).

Em seu perfil no Twitter, Gil lastimou a morte do músico e postou um vídeo de um show antigo em Recife, onde convida o contrabaixista a solar em "Palco". "Lamentamos muito a partida precoce de um dos maiores baixistas da atualidade, Arthur Maia. Seu talento e bom humor farão muita falta a todos nós", destacou Gil no tuíte. O músico também foi lembrado em postagens de outros artistas, como Beto Guedes, Paula Toller e Marcelo D2.

Amigo de longa data, Toni Garrido tocou com Maia desde antes de estourar como vocalista do Cidade Negra, quando formaram o All Star Black Band.

— Era um projeto em que tocávamos por pura diversão, procurávamos palcos na cidade para apresentar black music de qualidade — relembra o cantor e compositor. — O Arthur era um amigo de todas as horas, que admirava desde quando éramos moleques. O legado musical que ele deixa é gigantesco.

“O Arthur era um amigo de todas as horas, que admirava desde quando éramos moleques. O legado musical que ele deixa é gigantesco”

TONI GARRIDO

Cantor e compositor

Garrido também lamentou os projetos inacabados do contrabaixista, alguns dos quais contavam com sua parceria:

— Há pouco tempo estávamos juntos no palco com a Gal e a Alice Caymmi. Estávamos planejando, com a Mart’nália, uma turnê nos Estados Unidos. Ele também tinha um projeto de programa de TV, um bate-papo com música, eu gravei o piloto. Queria muito poder realizar tudo isso com ele.

 

 

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