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quinta, 27 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
In Memoriam

Morre aos 61 anos a jornalista Sandra Moreyra, da TV Globo

10 novembro 2015 - 16h59Por O Globo

Morreu, nesta terça-feira, dia 10, no Rio, a jornalista Sandra Moreyra, aos 61 anos. Uma das principais repórteres da Globo, Sandra enfrentava um câncer no mediastino, região torácica próxima ao esôfago, o terceiro nos últimos anos. Ela lutava contra a doença desde 2008. Em 2013, retomou a batalha, passando por mais uma cirurgia. A jornalista começou um novo tratamento em outubro deste ano, e na época comentou em sua conta no Twitter: "Novamente estou sendo posta à prova. Mais um tratamento pra fazer. Eu amo a vida. E vou em frente".

Sandra começou a carreira na mídia impressa, e chegou a trabalhar no "Jornal do Brasil". Ao longo de sua trajetória, teve passagens pela Band e pela Manchete. Começou a trabalhar na Globo como repórter em 1984. Na emissora, fez matérias para o "RJTV", o "Jornal Nacional", "Globo repórter" e "Bom dia Brasil". Em 1985, com eleição e a doença de Tancredo Neves, a Globo preparou uma cobertura especial, da qual Sandra participou com matérias para os telejornais da rede. No dia da morte do primeiro presidente civil eleito após a ditadura militar, a jornalista acompanhou o cortejo fúnebre, matéria exibida em 22 de abril, no "Jornal Nacional".

Com 40 anos de carreira, Sandra cobriu momentos importantes da história do país, como a chacina em Vigário Geral, em 1993, o lançamento do Plano Real, em 1994, e a ocupação do Complexo do Alemão. A jornalista considerava marcante em sua carreira a cobertura da chacina em Vigário Geral, quando 40 homens invadiram a favela da zona norte do Rio e mataram 22 pessoas, em represália ao assassinato de PMs, dias antes. O enterro das vítimas da chacina, exibido em matéria no "Jornal Nacional", comoveu o país.

Em entrevista ao site Memória Globo, a Sandra lembrou o trabalho: “Na hora de escrever o texto, a matéria tinha uma carga de emoção tão forte, da dor daquelas pessoas, da violência, que pensei: ‘Tenho que botar isso nas palavras mais simples’. Quando a matéria entrou no ar, foi um soco no estômago. Ela estava mais forte do que eu poderia imaginar, porque consegui exatamente isso, lidar com a realidade sem querer ser mais do que ela, sem querer aparecer mais. No dia em que fiz aquela matéria foi quando senti: ‘Puxa vida, cresci. Que bom!”.

Em janeiro deste ano, Sandra coordenou a série "Memórias de uma cidade", sobre os 450 anos do Rio. Também produziu a série "Cariocas olímpicos", série que estreou em agosto de 2015 no "RJTV".

Sandra Maria Moreyra nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de agosto de 1954. Seu pai fez história como um dos mais importantes cronistas esportivos do jornalismo brasileiro; sua mãe, Lea de Barros Pinto, era professora. A família de classe média garantiu que estudasse em bons colégios e pudesse fazer faculdade. Em 1975, após um concurso, começou seu primeiro estágio, no Departamento de Pesquisa do "Jornal do Brasil". Formou-se em 1976, foi contratada e, em 1978, foi para a reportagem geral do jornal, onde de fato começou sua carreira de repórter.