Conhecida pelas ruas da Vila Marli e Vila Nasser, em Campo Grande, a catadora de recicláveis Rosimeire Godoy Mendes morreu aos 57 anos após descobrir um câncer no pulmão em estágio avançado. A história da mulher, descrita pela família como batalhadora, acolhedora e querida pelos vizinhos, comoveu moradores da região.
Segundo a filha, Fatima Aparecida Godoy, Rosimeire começou a passar mal há alguns meses, sentindo dores nas costas e sintomas gripais constantes. A família conta que ela procurou atendimento diversas vezes em unidades de saúde, mas o quadro foi tratado inicialmente como dores musculares. O diagnóstico do câncer veio apenas recentemente, quando a doença já estava avançada.
“Foi tudo muito rápido. Quando descobriram o tumor no pulmão, ela já estava muito debilitada. Não conseguia mais comer. Infelizmente, já foi colocada em cuidados paliativos”, relatou a filha emocionada.
Rosimeire morava em Campo Grande há anos. Ela deixou Rio Verde para cuidar da mãe, que também enfrentava problemas de saúde. Depois da morte da mãe, em novembro de 2025, a situação da família ficou ainda mais difícil. Para complementar a renda do marido, aposentado por invalidez, passou a trabalhar com reciclagem, limpeza de quintais e produção de sabão caseiro.
Casada há mais de 40 anos, ela era descrita como inseparável do companheiro. “Tudo eles faziam juntos. Se ela lavava a louça, ele secava. Se fazia café, estavam juntos. Meu pai está sem chão”, contou a filha.
Além do trabalho nas ruas, Rosimeire também era conhecida pelo carinho com crianças, vizinhos e animais. Segundo familiares, moradores da região ficaram abalados com a notícia da morte. “As crianças a chamavam de vó. Até uma cachorrinha de uma amiga da família entrou na casa procurando por ela e está fazendo isso todos os dias, ela fica em desespero por não encontrar minha mãe”, relembrou.
A dor da família também revive uma antiga tragédia. Há cerca de 21 anos, Rosimeire perdeu uma filha de 18 anos, vítima de um câncer terminal. Desde então, ajudou a criar a neta pequena e seguiu cuidando da família.
Mesmo durante a internação, Fátima lembrou emocionada que a mãe manteve a alegria e a preocupação com todos ao redor. “Ela pedia perdão por achar que estava dando trabalho para a gente. Até no hospital se preocupava mais com os outros do que com ela mesma”, contou a filha.
Antes de morrer, Rosimeire ainda realizou um último gesto de carinho com o marido: ensinou novamente a receita do sabão que os dois produziam para vender. “Ela falou para ele continuar lutando, porque a vida não pode parar. Ele não quer fazer nada porque está sem ela. Por isso estamos lembrando sempre que ela falava pra ele continuar, que ele precisa ser forte, mas ele está muito abalado”, disse a filha.
Agora, a família tenta lidar com a ausência da mulher que era considerada o alicerce da casa. “A nossa família nunca mais será a mesma. Hoje, se eu pudesse pediria perdão por todos os erros, faria várias coisas diferentes. A vida passa muito rápido, quando vemos já acabou e essa é uma dor que eu não desejo para ninguém, parece ser a pior do mundo”, desabafou a filha.
Além disso, Fátima fez um desabafo, lembrando às pessoas nunca deixarem de demonstrar afeto, estar junto dos entes queridos e viver o máximo possível. Já que, segundo ela, tudo é muito rápido.
“A gente nunca sabe quando a vida vai ter um fim, então, se tem que fazer alguma coisa, precisa ser hoje, porque amanhã pode ser tarde demais. Para quem puder aproveitar, para quem tem sua mãezinha ainda, aproveita a cada instante, porque a vida não avisa de nada”, finalizou ela bastante emocionada.
Dona Rosimeire foi sepultada na última quinta-feira (15), deixando saudade em todos que a conheciam.








