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Ministério Público Federal determina análise quinzenal de água em Dourados

Contaminação de água

28 JAN 2014
Redação
20h00min
Divulgação

O MPF (Ministério Público Federal e Estadual de Mato Grosso do Sul) aprovaram uma liminar que determina que a água consumida pela população do município de Dourados seja analisada quinzenalmente. A segunda maior cidade do Estado, com 207 mil habitantes corre o risco de ter rios e fontes subterrâneas de água contaminadas por resíduos de agrotóxicos provenientes das lavouras da região.

 

As análises serão feitas pelo governo federal e do Estado e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sob pena de multa diária de R$ 100 mil, até que se implemente efetivamente a pesquisa de resíduos de agrotóxicos no Lacen/MS (Laboratório de Saúde Pública de MS). Além disso, o consumidor será informado sobre os respectivos resultados das análises, por meio das contas de água emitidas pela Sanesul (Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul).

 

Água contaminada - A contaminação do rio Dourados foi identificada pelo Laboratório de Saúde Pública do Paraná (Lacen/PR), no período de janeiro a agosto de 2010, pois o Lacen/MS não possui estrutura técnica e de pessoal para realizar a identificação dos componentes tóxicos na água.

 

Foi encontrada a presença do agrotóxico clorpirifós etílico - inseticida, pesticida e formicida, classificado como altamente tóxico pela Anvisa - e o temefós - larvicida comumente utilizado contra proliferação de mosquitos. Não só o consumo de água com estes produtos é prejudicial à saúde, como também afeta a alimentação dos peixes do rio, que concentram altos níveis das substâncias nocivas.

 

Perigos - Nos Estados Unidos, em 2000, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) concluiu que o agrotóxico clorpirifós oferece grande risco, principalmente sobre o sistema nervoso e o desenvolvimento do cérebro e o fígado. Desde então, o produto não pode ser comercializado para uso urbano no país, e os agrotóxicos que contenham a substância têm uso restrito.

 

Já no Brasil, o seu uso como desinfetante domiciliar foi restrito em 2004, cinco anos após o caso ocorrido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde 112 funcionários do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) foram fortemente intoxicados. Já o temefós, usado pelo governo federal no combate à dengue, foi substituído pelo diflubenzuron (DFB) em 2001, depois de 34 anos de uso. Na agricultura, ambos são utilizados em todo o país.

 

No dia 18 de fevereiro haverá uma audiência com a União e o Estado para indicar os padrões para o cumprimento das medidas estabelecidas. A partir desta data, a União tem o prazo de 30 dias para apontar o laboratório que realizará as atividades. O Lacen/PR não pôde mais dar continuidade às analises por problemas técnicos e reforma no setor de agrotóxicos.

 

Fonte: MS Record

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