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Interior

Protestos na fronteira pedem fim da violência contra mulher após morte de estudante

Pais da estudante de medicina assassinada estiveram no ato junto a familiares de crimes impunes

24 agosto 2018 - 10h12Por Luis Abraham

Milhares de estudantes e moradores acompanhados por autoridades paraguaias se manifestaram na tarde desta quinta-feira (23) com atos em frente às faculdades Caballero, do Ministério Publico e do Palácio de Justiça. Gritos de “Nenhuma mais” pediram pelo fim da violência contra mulher e justiça às vitimas de feminicidío na região.

O Governador Ronald Acevedo do estado de Amambay e o prefeito Jose Carlos Acevedo de Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã acompanharam o ato juntamente dos pais da vítima, bem como familiares de outras vitimas de crime cujo os autores se encontram impunes até o momento.

A morte da universitária do curso de medicina, a brasileira Erika de Lima Corte (29) chocou a região. Os moradores cobram uma posição da justiça e não entendem os motivos da liberdade concedida ao acusado, o eletricista paraguaio Christopher Andrés Romero Irala, 27 anos, principal suspeito de matar com 19 golpes de punhal a jovem.

Christopher estava foragido desde julho de 2014, quando a justiça paraguaia decretou sua prisão após ser acusado de assassinar outra mulher na fronteira, em 2012.

Estudante do segundo ano de medicina em Pedro Juan Caballero, Erika foi morta com 19 golpes de punhal na madrugada de segunda-feira (20) no pensionato onde morava com outra universitária brasileira. O corpo foi enterrado terça-feira em Pontal do Araguaia-MT, onde mora a família. O pai de Erika foi prefeito da cidade, de 6.200 habitantes.

A primeira vítima

A juíza penal de garantias de Pedro Juan Caballero, Sady Estela Lopez, disse em entrevista à rádio Império FM que a prisão foi decretada após Christopher não comparecer a uma audiência sobre o assassinato da estudante paraguaia Daysi Patricia Benítez Gómez, em agosto de 2012.

Assim como Erika, Daysi foi morta a golpes de faca, mas também sofreu estrangulamento e o assassino tentou colocar fogo no corpo.

De acordo com a magistrada paraguaia, Christopher foi preso pela primeira vez em 17 de agosto de 2012, três dias após a morte de Daysi. Na época ele foi denunciado como autor do crime pelo promotor Sixto Marín.

Em 13 de março de 2013 ele conseguiu liberdade provisória por falta de provas de seu envolvimento na morte. Entretanto, no dia 9 de setembro de 2013 o Ministério Público reabriu o caso e a audiência preliminar foi designada para o dia 8 e julho de 2014.

Prisão internacional

Christopher não se apresentou na audiência, tampouco justificou a ausência. A justiça decretou então a prisão internacional do suspeito, ou seja, ele deveria ser preso mesmo se fosse localizado em outro país.

O acusado não foi havia sido localizado até esta semana, após agir novamente em Pedro Juan Caballero, onde nos últimos anos vinha trabalhando com o pai, que presta serviço para a ANDE, a agência nacional de energia elétrica do Paraguai.

Preso na sede regional da Polícia Nacional em Pedro Juan Caballero, Christopher deve ser ouvido hoje pelo Ministério Público. Ontem, ele se manteve em silêncio.