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Velório de Ferreira Gullar reúne amigos famosos e imortais na ABL

Adriana Calcanhotto, Fagner e Fernando Gabeira, além de acadêmicos, deram adeus ao poeta na manhã desta segunda, feira, 5, no Centro do Rio

5 DEZ 2016
Ego
12h39min
Foto: Anderson Barros

Amigos famosos e imortais foram à Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio, nesta segunda-feira, 5, para velar o corpo de Ferreira Gullar, que morreu aos 86 anos no domingo, 4. Familiares, admiradores e colegas acadêmicos prestaram sua última homenagem ao poeta, que foi velado ainda na noite de domingo e durante toda a madrugada no saguão da Biblioteca Nacional, também no Centro. O enterro acontecerá na tarde desta segunda-feira no cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul da cidade.

A chegada do corpo de Gullar para este segundo velório, na ABL, estava prevista para as 9h da manhã, mas o cortejo que vinha da Biblioteca Nacional atrasou e acabou chegando por volta das 11h30 ao local, onde uma coroa de flores da própria Academia e muitos jornalistas aguardavam o caixão. A bandeira hasteada a meio mastro simbolizava o luto da instituição.

À frente do cortejo, familiares traziam um cartaz feito a mão com desenhos coloridos e o texto: "E na história dos pássaros / Os guerreiros continuam vivos. (Poema Sujo, Ferreira Gullar)". A viúva, Claudia Ahimsa, permaneceu durante boa parte do tempo ao lado do caixão, muito emocionada.

A neta de Gullar, Juliana Aragão, relembrou com carinho dos momentos que viveu com o avô. "Ele sempre foi uma pessoa afetuosa e dedicada com todos. Sobretudo muito amoroso em tudo que podia ter feito pelos netos e bisnetos, ou até mesmo por qualquer um da família", disse ela.

"Meu avô é o ensinamento de uma pessoa que lutou contra qualquer tipo de opressão... Até mesmo no hospital, ele lutou contra a opressão da medicina, dos medicamentos, do tratamento", contou. "Ele sempre foi um coração de menino, aguerrido, subversivo e afetuoso. É essa luz e essa alma que seguem com a gente", completou ela.

Entre os presentes, o ministro da Defesa, Raul Jungmann; o ministro da cultura, Roberto Freire; diversos artistas e colegas imortais, como Cícero Sandroni, ocupante da cadeira 6 da ABL. "Ele deixa uma marca muito importante como os poetas que o precederam, deixa um enorme vazio na cultura do Brasil. Foi um grande acadêmico, grande participante de nossas atividades. Um homem doce. O adeus que vamos dar amanhã na sessão de saudade vai ser muito comovente", disse Sandroni. "O Ferreira Gullar sempre foi um homem que estava atualizado, e não um intelectual recolhido. Ele é um grande intelectual que não parte, vai ficar para sempre em nosso memória", afirmou Roberto Freire.

António Carlos Secchin, titular da cadeira 19, também falou sobre o amigo: "Ferreira Gullar não foi somente a grande voz poética do Brasil na segunda metade do século XX, mas também um pensador da cultura. Para ele não havia fronteira se gênero literário. Ele representa uma figura importante no pensamento brasileiro".

Ainda entre os presentes, o também acadêmico Domício Proença Filho, o jornalista e escritor Fernando Gabeira e o cantor Fagner. "É uma perda muito grande não só para jornalistas, mas é uma perda muito grande para a poesia brasileira. Talvez seja dos poetas mais importantes da língua portuguesa. E é uma perda não só para o Brasil, como uma perda também para todos os países de língua portuguesa que podem de certa maneira partilhar de sua poesia", disse Gabeira

 "A nossa relação era muito fraterna. Eu tinha um respeito muito grande por ele, pela história dele. Até porque fui apresentado por ele pelo Vinicius (de Moraes). Vinicius um dia falou para mim: 'Estou perto de ir, mas vou te entregar o maior poeta brasileiro.' Então foi assim que conheci o Gullar, na casa do Vinicius. Nordestino, exilado. Tenho um respeito enorme. A vida continua, mas ele deixa o maior legado que poucos artistas, nordestinos, deixaram", homenageou Fagner (confira vídeo acima).

A cantora Adriana Calcanhotto também compareceu à cerimônia e conversou rapidamente com a imprensa. "Ele era realmente um poeta popular. Um homem incrível, um homem muito livre que não tinha medo de mudar de ideia, que não tinha essa preocupação falsa com coerência. Um homem completamente íntegro e livre", disse Adriana.

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