Política

31/03/2019 08:40

Deputado federal Luiz Ovando defende que militares evitaram regime assassino e opressor em 64

Presidente Bolsonaro causou polêmica ao estimular as Forças Armadas a festejarem a data 31 de março

31/03/2019 às 08:40 | Atualizado 31/03/2019 às 18:10 Celso Bejarano, de Brasília
Wesley Ortiz

Parece assunto censurado ao menos para parte da bancada federal de Mato Grosso do Sul, em Brasília, expressar suas opiniões sobre a polêmica levantada pelo presidente Jair Bolsonaro acerca do regime da ditadura militar, imposto no país 55 anos atrás.

Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, acha que no Brasil não ocorreu ditadura de 1964 a 1985, período que o país, sem quaisquer eleições, era governado por generais.

As senadoras Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (PSL), não quiseram se manifestar.

O médico Luiz Ovando (PSL), deputado federal, estreante na política, acha que o domínio dos militares evitou que o Brasil virasse um país comunista que, para ele, seria um “regime sanguinário, assassino e lamentavelmente opressor”.

“Eu vivi esse período e na época eu me senti bastante seguro. Portanto, hoje existe um movimento para descaracterizar a ação dos militares da época”, afirmou o parlamentar, que acrescentou: “quero deixar bem claro que é importante nós falarmos sobre o termo correto celebrar. Celebrar não é você simplesmente se alegrar. Celebrar é uma memorização, é uma recordação dos fatos, ou seja, avaliando perfeitamente o seu significado e o seu aprendizado”.

O raciocínio do parlamentar sul-mato-grossense é bem parecido ao do presidente Bolsonaro. Logo que o presidente declarou que o Exército poderia “comemorar” o dia 31 de outubro, instituições federais como o Ministério Público Federal e Associação dos Defensores Públicos Federais ingressaram com ações judiciais contrárias a celebração.

Daí, o presidente trocou as palavras que havia usado e, ao invés de “celebração” afirmou ter dito que quis mencionar “recordação”.

No dicionário, celebração significa “comemoração, festa, solenidade e festança”. Já recordação: “lembrança, memória, relembrança”.

QUERO CELEBRAR

O deputado federal Luiz Ovando seguiu defendendo a ideia de que os militares fizeram bem para o Brasil em 1964.

“Eu quero celebrar dia 31 de Março porque nós fomos libertos de uma intenção comunista, na época que nós escapamos da ditadura do proletariado.  Se você fizer um levantamento de todos aqueles que participaram da tentativa de submeter o país a um regime comunista, você vai ver que eles vão confessar exatamente a verdadeira intenção. Portanto, na época o regime comunista de Stalin (ex-lider da então União Soviética) e Lenin (ex revolucionário comunista, também russo), era um regime sanguinário, assassino e lamentavelmente opressor. Portanto, eu celebro o dia 31 de março colocando aqui a minha reverência aos militares que nos livraram da época desse regime facínora, regime comunista”.

O médico-político segue dizendo que “as questões que advieram posteriormente (ao ano de 1964) são outras situações. Aí nos tempos um regime de exceção posterior como o ato institucional número 5, que fechou o Congresso Nacional e que as pessoas querem basicamente se deter e a se ater a essa situação”.

Luiz Ovando concluiu sua interpretação acerca do assunto, afirmando: “nós temos que entender que a população brasileira, que a sociedade brasileira, foi liberta de um golpe da ditadura do proletariado, a ditadura comunista, que se queria implantar no país. Por isso eu celebro, aprendo e reavalio as condições que estaríamos enfrentando se isso não tivesse sido evitado”.