Campo Grande

13/06/2019 15:15

Conselheiros renunciam e apontam suposta 'caixa preta' da Santa Casa; hospital nega

Atual presidente, Esacheu Cipriano Nascimento, diz que denúncias tem fins eleitoreiros

13/06/2019 às 15:15 | Atualizado 14/06/2019 às 07:13 Thiago de Souza
Wesley Ortiz - arquivo

Denúncias de nepotismo, gastos injustificados e perseguições, fizeram dois conselheiros da Santa Casa de Campo Grande - Jesus Alfredo Ruiz Sulzer e Wilson Levi Teslenco - renunciarem aos cargos. Os denunciantes apontam  que estes e outros fatores levam o hospital a uma situação de ''iminente colapso''. O atual presidente, Esacheu Cipriano Nascimento nega todas as acusações.     

O documento de renúncia é datado de 11 de junho deste ano e foi recebido por um diretor-secretário do hospital.
Entre os fatos mais graves apontados na carta estão a falta de transparência nos gastos com terceiros .

Os ex-conselheiros apontam  que informações de  contratos com terceirizados foram excluídos ''.

''...sem qualquer justificativa, que colocou as contas da ABCG sob o manto da obscuridade'', escreveram os ex-integrantes da Santa Casa. Eles ainda afirmam  que o nepotismo é um mal presente no serviço público e que ''atingiu em cheio a Santa Casa''.                                                                                                                                                                   
Salários altos e  número de colaboradores estimados em  3 mil pessoas, além de contratações suspeitas, seriam mais elementos que indicam problemas na gestão que Jesus e Wilson classificam como ''centralizadora''.

Teslenco, ex-presidente da Santa Casa, e Jesus  afirmam que a atual gestão assumiu com dívida de 100 milhões de reais e que hoje está em cerca de 250 mi.

Conselheiros renunciam e denunciam atual diretoria. (Foto: Reprodução Repórter Top)

                                                                                                                                                                                                                                                                                         
Ainda na questão de supostos gastos injustificados e inadequados, recursos conseguidos supostamente por meio de doações da população para a compra de um aparelho para a ala pediátrica da unidade foi usado na construção de uma área de lazer para colaboradores e clientes no estacionamento.

Outra denúncia grave é a que um de seus colaboradores estaria envolvido em um caso de violência contra uma ex-funcionária, inclusive citam o número do processo na Justiça. No entanto, o conselheiro em questão não teria sido afastado ou o caso enviado ao Comitê de Ética.    

Os dois  demissionários criticam o recente  rompimento da Santa Casa com a Unimed, que segundo eles eram fonte de 50% da receita do serviço particular do hospital. Também  apontam perseguição  da  atual diretoria a conselheiros que manifestam pensamen to contrário ao da atual gestão.  

Outra versão

Ezacheu Nascimento fala que todas as denúncias são ''irresponsáveis'' e que os conselheiros não compareciam às reuniões, além de que o comportamento de ambos estaria sendo prejudicial ao Conselho.

''Eles são belicosos mesmo, vão para as reuniões para agredir os outros conselheiros. Estamos felizes com a saída deles'', criticou o dirigente.                                                                                   

Sobre nepotismo, Nascimento esclareceu que uma diretora-ténica citada pelos denunciantes entrou em 2012 por meio de processo seletivo, antes do marido ser associado. Ele nega falta de transparência e diz que todas as decisões da diretoria são postas para análise do Conselho.

''A Santa Casa não é 99% correta. A Santa Casa é  100% correta'', afirmou Esacheu.  

O presidente disse que as denúncias vem em um momento pré-eleitoral   e por isso vê relação das denúncias com o processo eleitoral.

Sobre as dívidas, Nascimento disse que recebeu de Teslenco, antigo presidente, pendência de 168 milhões.  

''Aconteceu que foi feito um  empréstimo da prefeitura e do Estado de R$ 80 milhões, mas  que nós estamos pagando até  hoje...'', justificou. Esse valor foi colocado dentro do próprio valor  que a Santa Casa recebe todo mês, está embutido'', explicou novamente.

A respeito do processo contra um conselheiro por violência doméstica,    ele diz que o caso foi arquivado e que, de qualquer forma, não ocorreu dentro do hospital .