Política

há 1 hora

'Viúva da Gráfica' virou chefona de ataque escancarado aos cofres públicos de MS

Dentista presa em Campo Grande ostenta clínica de estética e imóvel de alto padrão no São Francisco

15/07/2026 às 11:00 | Atualizado 15/07/2026 às 10:40 Thiago de Souza
Viuva seguiu esquema criminoso de fraudes - Reprodução Facebook e Portal Gov

A dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar é apontada pelo Gaeco como sendo a chefe de um esquema criminoso, que usava a gráfica da família para desviar dinheiro público da Educação. Ela e três filhos estão presos por suspeitas de faturarem R$ 29 milhões em fraudes. 

Relatório da investigação cita a morte de Micherd Jafar Júnior, em abril de 2021. Ele era investigado por fraude em contratos públicos na condição de dono da Gráfica e Editora Alvorada. 

Meses depois, diz a investigação, a nora de Micherd, Rhayane Souza Fanaia, abre uma editora em São Bernardo do Campo (SP). Ela, que nas redes sociais se mostrava dona de um brechó, registrou capital social de apenas R$ 40 mil. No entanto, já fechava contratos milionários com prefeituras de cidades de MS. 

Tudo isso chamou a atenção dos investigadores. As investigações avançaram – percebendo que o modus operandi da quadrilha era articular contratos sem exigência de licitação. Com o avanço e quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático, foi visto que quem dava as cartas na organização criminosa era a sogra de Rhayane, Rossana Jafar Paroschi. 

Os contratos com prefeituras somavam quantias milionárias. Em um deles, em Ivinhema, o pacto inicial era de R$ 586.862,50, mas, estranhamente, um mês depois já ganhou um aditivo e saltou para R$ 874.130,00. Ladário e Miranda também compraram livros da Avante, em valores relevantes. 

O dinheiro fruto do crime era pulverizado entre diversos agentes, mas tudo decidido por Rossana. É o que mostram conversas no aplicativo WhatsApp, entre ela e a nora. Foi dito pelo Gaeco que saques de alto valor nas agências bancárias era meio de dificultar o rastreamento.  Clínicas médicas – inclusive de membros da família Jafar – oficina de carros, gráficas, distribuidora de bebidas, além de servidores públicos eram os destinos de porções menores de dinheiro. 

Beleza

Rossana, a chefona do esquema, ostentava casa de alto padrão e administrava clínica de estética em nome da filha, Olívia Paroschi Jafar, a Clínica Ross. A especialidade da empresa era harmonização orofacial. 

A chefe da orcrim foi presa também por manter em casa munições de arma de fogo em um banheiro do quarto de visitas. Ela negou conhecimento desse material. 

O espaço está aberto para manifestação das defesas dos citados. 

Alvorada

Rossana também constava como sócia da Gráfica e Editora Alvorada, alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Lama Asfáltica. O esquema apurado em meados dos anos 2010 é muito semelhante ao atual.