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Sucursal Pantanal

há 8 anos

Aluno acusa diretor de Escola Estadual em MS de homofobia

Palestra do Projeto Intervenção foi cancelada no dia da apresentação

Um adolescente, estudante do 2º ano do Ensino Médio, acusa o diretor da Escola Estadual Dóris Mendes Trindade, em Aquidauana, de homofobia. O desentendimento teria iniciado após o diretor podar uma palestra sobre homossexualidade que seria ministrada no pátio da Instituição.

O bate-papo faria parte do cronograma do Projeto de Intervenção, realizado na disciplina de História. O estudante afirmou que a professora e o coordenador de ensino já teriam aprovado o tema e o problema iniciou no dia da apresentação, 29 de Novembro, quando o jovem foi buscar o projetor e acabou sendo impedido pelo diretor.

“Ele disse que o tema que eu escolhi (homossexualidade e transsexualidade) não poderia ser discutido no pátio da Escola. A palestrante já estava pronta para iniciar o bate-papo e o diretor disse que se eu quisesse trazer alguém para falar sobre isso que fosse feito entre 4 paredes.”

O aluno ainda conta que o tema foi um dos sugeridos pela própria professora que disponibilizou diversos assuntos para os jovens debaterem. O projeto de intervenção englobava desde racismo até homossexualidade, mas somente o escolhido pelo adolescente foi impedido de ser discutido no pátio.

“A palestrante iria falar sobre identidade de gênero, questões trans, banheiro e outros pontos que iriam ajudar e esclarecer muitas dúvidas.”

Após ter tema e palestrante escolhidos, o segundo passo foi elaborar um cronograma e enviar para o coordenador de ensino. Assim que aprovado pelo profissional, os convites foram confeccionados e o evento divulgado para alunos e convidados.

“Estava tudo aprovado, mas ele afirmou que somente seria feito dentro de sala, mas não soube explicar o porquê. Tentei questionar, mas ele também não quis conversa e simplesmente depois de tudo divulgado ele não deixou que o tema fosse tratado na Escola. Para mim foi preconceito, homofobia.”

A reportagem entrou em contato com o diretor da Escola, José Ramão Marinho, que alegou não poder comentar sobre o caso. Marinho pediu que os questionamentos fossem feitos na Coordenadoria Regional de Educação de Aquidauana (CRE-1).

Ao entrar em contato com a responsável pela Coordenadoria, Gleide Godoy Veloso Gomes, e perguntar sobre o ocorrido, a mulher informou que não ia responder perguntas da imprensa e limitou-se a dizer rispidamente: “não vou falar nada, isso é com a Assessoria Jurídica na Secretaria de Estado de Educação (SED)”, desligando o telefone imediatamente sem mais informações.

A Assessoria Jurídica não é a área responsável pelo fato e, por meio de Assessoria de Imprensa, a SED afirmou que vai acompanhar o caso e tomar os encaminhamentos necessários.

Confira a nota na íntegra:

Diante do exposto pelo TopMídia sobre a EE Profª Dóris Mendes Trindade, a Secretaria de Estado de Educação (SED) está acompanhando o caso, por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Aquidauana (CRE-1), para que seja feita uma análise da ocorrência e tomados os encaminhamentos necessários.

De acordo com o diretor da escola, José Ramão Marinho, ele mantém um bom relacionamento com o estudante em questão e não se julga homofóbico, destacando que em 12 anos à frente da escola nunca houve qualquer tipo de situação que dissesse o contrário.

A SED mantém a Coordenadoria de Políticas Especificas para Educação, que tem entre suas funções implementar as políticas públicas voltadas para a questão LGBTTTIS (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, intersexuais e simpatizantes), enviando orientações para as escolas e contribuindo com formações para professores, sempre procurando pautar e respeitar todas as orientações de gênero.

Desenvolvendo a cultura da paz, da tolerância e da convivência respeitosa entre os estudantes e toda a comunidade interna e externa da escola, a SED desenvolve o Programa CAP – Cultura, Arte e Paz, que tem promovido formações, oficinas e palestras para as escolas, tanto como prevenção, quanto para as que registram ocorrências ou que solicitam os temas ligados a gênero, valorização da vida e respeito e convivência. 

Diversas parcerias são formadas para o desenvolvimento do Programa, entre elas: Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia e Coordenadoria de Educação e Capacitação em Direitos Humanos, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhdast); Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

 

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