tce janeiro
CNH - MOTO
Menu
sexta, 28 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Polícia

Agiota diz que emprestou dinheiro a Ronan e Olarte em troca de terrenos públicos

27 novembro 2015 - 14h06Por Diana Christie e Alessandra Carvalho

Uma das principais testemunhas do MPE (Ministério Público Estadual), o agiota Salem Pereira Vieira declarou hoje (27) que emprestou dinheiro ao prefeito afastado, Gilmar Antunes Olarte (PP por liminar), e ao ex-assessor da prefeitura, Ronan Edson Feitosa de Lima, em troca de terrenos da prefeitura e perdão de impostos.

Durante depoimento no TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) na manhã de hoje (27), ele afirmou que conheceu Ronan há cerca de três anos, quando este ocupava um cargo de chefia na Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Agronegócio).

Segundo ele, Ronan teria oferecido áreas públicas, a regularização de terrenos com impostos atrasados e até mesmo empréstimos de um caminhão com caçamba da Secretaria Municipal de Obras como garantias pelo dinheiro. Os recursos seriam todos repassados a Gilmar Olarte, que se encontrou uma vez com o agiota em frente a um banco localizado no Parque dos Poderes.

Salem explica que gravou imagens do esquema de corrupção com uma caneta espiã, tudo como uma forma de seguro em caso de calote e, quando os cheques começaram a voltar, somando um prejuízo de cerca de R$ 38 mil, Ronan teria ‘desaparecido do mapa’. Sem outra opção, o agiota conta que, então, procurou o irmão do ex-assessor, que informou a exoneração de Ronan.

Nesta conversa, o irmão do réu teria declarado que o ex-assessor foi ‘abandonado pelo homem’, Gilmar Olarte, e se comprometeu a entregar uma motocicleta como parte do pagamento. O veículo foi repassado a Salem, mas Ronan e o irmão registraram um boletim de ocorrência por furto e a polícia recuperou a moto.

De acordo com a testemunha, em sua casa a polícia encontrou uma arma de fogo usada para a segurança pessoal, cheques em branco, pen drives e CDs contendo fotos e vídeos dos encontros com Ronan e Olarte. Duas pessoas, inclusive, teriam tentado comprar os arquivos comprometedores em datas anteriores.

Julgamento

A audiência de julgamento terá uma pausa para almoço. Já prestaram depoimento o empresário Paulo Telles, a secretária  Marly Deborah Pereira e o ex-prefeito Alcides Bernal. O ex-governador André Puccinelli (PMDB) esteve na sede do TJ-MS, mas foi dispensado pela defesa e não precisará participar do julgamento. Já Nelsinho Trad (PTB) apresentou um atestado médico.

Olarte e Ronan são investigados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crime de estelionato. Segundo as investigações, eles atuavam “fazendo ofertas de ajuda política, empregos futuros e outras participações no executivo municipal” para obter “cheques bancários, que passaram a descontar com agiotas ou em factorings [compra de ativos financeiros], deixando sem fundos as respectivas contas bancárias, causando prejuízos aos seus titulares”.