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Polícia

há 1 hora

Gaeco pede perda de cargos de policiais e R$ 10 milhões por esquema de desvio de drogas em MS

Gaeco também quer confisco de dinheiro, veículos e imóvel de delegado; denúncia aponta suposto esquema de desvio de entorpecentes apreendidos e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu à Justiça a perda dos cargos públicos de policiais civis e de um policial penal denunciados por participação em um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em operações policiais. Na denúncia apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o órgão também requer a perda de dinheiro e bens ligados aos crimes investigados, além da fixação de R$ 10 milhões em indenização por danos morais coletivos.

A denúncia foi apresentada contra 23 pessoas e descreve uma organização criminosa que, conforme a acusação, teria utilizado a estrutura policial para desviar entorpecentes, negociar as cargas no mercado ilegal e distribuir os lucros entre os envolvidos.

Entre os pedidos feitos à Justiça estão o recebimento da denúncia e a condenação dos acusados ao final do processo, a perda de valores em dinheiro apreendidos nas buscas e de bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos, incluindo veículos e um imóvel localizado no Alphaville 1, em Campo Grande. O MPMS também pede a perda dos cargos do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, de policiais civis denunciados e do policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, caso sejam condenados.

O valor de R$ 10 milhões solicitado pelo Gaeco deverá ser fixado a título de danos morais coletivos e reparação dos prejuízos provocados pelas infrações, conforme o pedido apresentado na ação penal. As medidas ainda dependem de decisão judicial.

Como funcionaria o esquema

Segundo a denúncia, a organização atuava por meio de uma divisão de tarefas entre policiais civis e pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Um dos principais articuladores apontados pelo Ministério Público é Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, que seria responsável pela comercialização dos entorpecentes desviados.

Conforme a acusação, Lucas repassava informações aos policiais sobre carregamentos de drogas, indicando alvos para abordagens. Depois das apreensões, parte da carga — e, em determinadas situações, a totalidade do entorpecente — seria retirada da destinação oficial e entregue ao grupo para revenda. Em troca, os agentes envolvidos receberiam parte do dinheiro obtido com a comercialização.

A denúncia cita conversas que, na avaliação do Gaeco, demonstrariam a dinâmica das negociações. Em um dos episódios descritos, em dezembro de 2022, Edimilson Santos Pereira teria informado ao irmão, Itamar dos Santos Pereira, que policiais conseguiriam drogas para a organização. Posteriormente, Lucas passou a cobrar o pagamento de uma quantidade de cocaína que teria sido desviada.

Durante as conversas, Edimilson teria sugerido entregar duas motocicletas como pagamento. Lucas, porém, teria recusado a proposta e explicado que precisava acertar os valores com os policiais responsáveis pelo fornecimento dos entorpecentes. Para o Ministério Público, o diálogo reforça a suspeita de que havia uma relação comercial entre integrantes do tráfico e agentes públicos envolvidos no desvio.

A investigação também aponta que a atuação não teria terminado com a transferência de alguns policiais para outras delegacias. De acordo com a denúncia, integrantes do grupo continuaram mantendo contato e negociando drogas mesmo após mudanças de lotação.

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que era titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), é apontado pelo Gaeco como um dos principais integrantes da organização. A acusação sustenta que ele teria utilizado a posição funcional para favorecer as atividades criminosas.

Os denunciados respondem, conforme as condutas atribuídas individualmente, por crimes que incluem organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.

A denúncia foi protocolada em 9 de outubro de 2026 e integra as investigações da Operação Infiltrados. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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