Dois irmãos de Campo Grande, identificados como Rafael e Eduardo Razuk, foram presos nesta terça-feira (18) durante a Operação Rodas da Sorte, deflagrada pela Polícia Civil contra um esquema de rifas ilegais que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em apenas seis meses. Mais de 20 veículos de luxo foram apreendidos durante a ação.
Ao todo, quatro pessoas foram presas. Os mandados foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraíba. A operação também resultou em 13 mandados de busca e apreensão.
As investigações começaram após uma denúncia anônima recebida pelo Departamento de Polícia Especializada (DPE), relatando que os irmãos estariam promovendo rifas milionárias pelas redes sociais, principalmente para sortear carros de luxo, sem autorização legal.
O delegado Ivan Barreira, do DPE, determinou que o delegado Pedro Cunha, responsável pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), apurasse a denúncia.
Segundo a Polícia Civil, a investigação confirmou que os irmãos realizavam os sorteios desde 2019 e que, nos últimos anos, o negócio cresceu de forma expressiva. As rifas eram divulgadas e comercializadas principalmente por meio de Instagram e YouTube.
Durante a apuração, os investigadores identificaram uma movimentação financeira estimada em R$ 100 milhões em um período de seis meses.
Conforme a polícia, com o crescimento do esquema, os investigados passaram a procurar formas de dar uma aparência de legalidade às rifas.
Para isso, os irmãos teriam estabelecido relações com pessoas e empresas de outros estados. Um dos envolvidos estava na Paraíba e outro no Rio de Janeiro. Os dois também foram presos nesta terça-feira.
Segundo o delegado Pedro Cunha, uma empresa do Rio de Janeiro teria atuado como intermediária para criar uma estrutura que apresentasse os sorteios como se fossem regulares.
As rifas eram acompanhadas por mecanismos como monitoramento e auditoria, mas, segundo a investigação, isso não tornava a atividade legal.
A polícia afirma que a empresa investigada no Rio de Janeiro também prestaria serviços semelhantes para outros influenciadores digitais que realizavam rifas pelo país.
Dinheiro de rifas teria sido lavado
Com o aumento dos valores arrecadados, os investigadores identificaram indícios de que o grupo teria começado a utilizar mecanismos para ocultar a origem do dinheiro obtido com as rifas.
A investigação aponta que os envolvidos teriam praticado lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da exploração ilegal de jogos de azar.
O delegado Pedro Cunha afirmou ainda que existem indícios de que a estrutura utilizada para as rifas poderia ter sido empregada para lavar dinheiro relacionado a facções criminosas. Essa parte da investigação ainda está em andamento.
A polícia trabalha para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o total de dinheiro movimentado pelo grupo.
22 veículos apreendidos
Durante a operação, 22 veículos de alto padrão foram apreendidos em Campo Grande. Os carros seriam dos irmais Razuk. Além das prisões e apreensões, a Justiça autorizou o sequestro de bens relacionados ao principal investigado.
A operação contou com equipes da DERC e de outras unidades do Departamento de Polícia Especializada, além do apoio das polícias civis do Rio de Janeiro e da Paraíba.








