O Ministério Público Estadual recorreu, nessa sexta-feira (3), da decisão judicial que pôs em liberdade o policial rodoviário federal, Ricardo Moon, assassino do empresário Adriano Correa, morto com cinco tiros na manhã do dia 31 de dezembro do ano passado.
Na última terça-feira (31), embora tenha aceito a denúncia do MPE de homicídio doloso e dupla tentativa de homicídio doloso, a Justiça mandou soltar o policial, preso desde o dia 5 de janeiro, sob a justificativa de que o inquérito já havia sido encerrado. Moon foi posto em liberdade no dia seguinte sob a condição de não portar arma de fogo, não deixar a cidade, usar tornozeleira eletrônica e ficar recolhido em sua residência após às 22 horas.
O pedido, que já foi anexado ao processo eletrônico da 1ª Vara do Tribunal do Juri de Campo Grande, é do Promotor de Justiça, Eduardo José Rizkallah, da 18ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que além da soltura do policial critica o fato da denúncia de fraude processual não ter sido acatada.
Sobre a fraude processual, Garcete justificou na ocasião dizendo que há provas de que Ricardo Moon reconheceu que não trajava uniforme completo da Polícia Rodoviária Federal, e portanto não teria mentido. Mas mesmo que tivesse dito o contrário, segundo o juiz, a Constituição dá ao réu o direito até de mentir em depoimento e não ser processado por isso. Se houve alguma fraude, explica Garcete, outras pessoas e policiais devem ser responsabilizadas e não Ricardo Moon.
Outra regalia que o policial assassino terá é a de trabalhar, porém, segundo a Justiça, somente em funções administrativas e burocráticas. O carro do policial, um Mitsubish Pajero, o mesmo usado na hora do crime, foi apreendido para pagamento de fiança.
O crime
Por volta das 4h30 do dia 31 de dezembro do ano passado, o PRF Ricardo Moon, que dirigia uma Pajero, se envolveu em uma briga de trânsito com o empresário Adriano Correia do Nascimento, que seguia em uma caminhonete Hilux, na Avenida Ernesto Geisel.
O empresário e o policial iniciaram uma discussão, quando Moon decidiu acionar a Polícia Militar. Instantes depois, após mais bate boca, o PRF sacou sua pistola .40 e atirou contra os ocupantes do veículo, que além de Adriano, estavam mais dois homens.
O jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, um supervisor comercial, de 48, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes.
O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF.
Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa depois de ter visto um objeto escuro que poderia ser uma arma, na mão de uma das vítimas, durante a tentativa de fuga do empresário com camionte. Ele também teria sido atingido pela camionete. No interior do véiculo, os investigadores encontraram apenas celulares das vítimas.








