Uma paciente internada na Santa Casa de Campo Grande denunciou suposta abordagem truculenta de policiais penais contra um detento, recém-operado de um dedo da mão, que estava hospitalizado no mesmo quarto. O caso ocorreu na manhã de segunda-feira (12), quando ele teria sido tratado com violência e os demais pacientes ficaram assustados com a situação.
“Estou internada na Santa Casa há 10 dias e estou num quarto com um preso. Ele está comigo há uns cinco dias no quarto”, relatou a paciente. O detento cumpre pena no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, no pavilhão 2A.
Segundo a mulher, o homem quebrou um dedo enquanto jogava futebol e passou por uma cirurgia para colocação de pino. Ela afirma que ele não havia causado problemas aos demais pacientes durante o período de internação. “O cara está com pino no dedo, recém-operado, e nunca fez nada que nos deixasse constrangidos no quarto”, disse.
A paciente conta que o clima mudou com a chegada de um policial para assumir o plantão da manhã do dia 12. De acordo com ela, o agente entrou no quarto gritando e passou a tratar o detento de maneira agressiva, deixando os outros pacientes acuados.
Em vídeo encaminhado à reportagem, o policial alega que o detento estaria causando problemas e resistindo à algemação. O homem acabou algemado em um dos braços e em um dos pés. Durante a gravação, ele questiona a necessidade das algemas e argumenta que a restrição poderia dificultar uma eventual ida ao banheiro, exigindo que os agentes retirassem os dispositivos para acompanhá-lo.
Conforme a denunciante, o detento está recém-operado e vinha urinando em um saco devido às condições em que permanecia no leito. Ela afirma que dois policiais usaram força durante a abordagem e que o homem chegou a chorar de dor. “Não tem necessidade dessa violência. É desumano o que ele está pagando, e lá no presídio”, declarou.
A mulher também relata que os outros pacientes saíram em defesa do preso. Segundo ela, cerca de 20 policiais passaram pelo quarto durante as trocas de turno nos dias anteriores, sem que houvesse uma situação semelhante.
Ainda de acordo com a denúncia, um dos pacientes ajudou o detento a buscar água, usando uma garrafa fornecida pela própria denunciante, já que os bebedouros ficavam longe.
Após a gravação, a paciente disse ter se sentido intimidada pelos agentes. Segundo ela, uma policial comentou que provavelmente a mulher havia feito o vídeo. Mais tarde, o agente voltou ao quarto e soltou o braço do detento, dizendo: “Valeu a pena seu show, já tem até filmagem”.
“Estou me sentindo ameaçada. Provavelmente me viu filmando, porque ele não para de me olhar feio, me intimidando, e eu sou mulher”, relatou.
A paciente afirma que decidiu denunciar o caso por considerar desproporcional a conduta dos agentes, independentemente da situação criminal do homem. “Sei que, aos olhos de muitos, detento não tem voz, mas isso foi desumano”, declarou.
Diante da situação, a reportagem procurou a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e a Santa Casa, mas até a publicação desta matéria não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.








