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Polícia

Policial militar e agente penitenciário faziam parte de tráfico em presídio de Campo Grande

Operação policial descobriu esquema de tráfico e realizou prisões

20 outubro 2021 - 10h24Por Rayani Santa Cruz

O tráfico de drogas no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande tinha participação de agente penitenciário e policial militar. Este é o resultado de investigação da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) que resultou na prisão de cinco pessoas nesta terça-feira (19/10). A operação Ouro Branco (cocaína) investigava como funciona a entrada de drogas na Máxima. O esquema envolvia tratores e saco de lixo, além da vista grossa do policial penal que deveria monitorar o trabalho dos detentos. Além de drogas, também passavam celulares, bebidas alcoólicas e dinheiro, através de sacos de lixo e madeiras usados pelo preso que disfarçava trabalhar em um trator. 

Entre os presos estão: agente penitenciário de 38 anos, acusado de tráfico de drogas e por deixar detentos terem acesso a aparelho celular; Um detento do presídio, de 40 anos; um policial militar da reserva, de 57 anos, que também cumpre pena, e cinco mulheres que davam apoio para o tráfico.

A Denar recebeu denúncia sobre o tráfico de drogas e passou a monitorar os envolvidos, desde a entrega ao movimento do agente que facilitava a entrada nos pavilhões. 

Em averiguações, a Polícia avistou o agente penitenciário, o interno no ambiente de triagem e as demais mulheres nas imediações cuidando o local para facilitar a entrada de drogas e celulares. 

Operação Ouro Branco

A operação Ouro Branco foi deflagrada e os investigadores flagraram o preso junto ao policial penal (nova denominação dada aos agentes penitenciários) e com a presença do agente penitenciário. O interno conduziu um trator reboque que estava com diversos sacos de lixo preto até uma caçamba. Ele desceu os sacos de lixo no local, mas também passou a pegar invólucros de droga, bebidas alcoólicas e aparelhos celulares colocando-os em meio a madeiras que estavam no trato reboque.

Droga usada pela quadrilha (FOTO: DENAR)

 

A ação foi gravada em vídeo pelos investigadores. Após a ação, o interno foi almoçar junto a um policial militar reformado, que também está no regime semiaberto por condenação de homicídio. 

Eles retornaram ao local que o reboque estava estacionado, e o agente penitenciário e o interno adentraram para dentro do Presídio com o veículo recheado de drogas e demais itens.

Os policiais da Denar entraram em ação e surpreenderam os acusados em flagrante. Foram encontrados, três tabletes de cocaína, 58 garrafas de bebida alcoólica, cinco aparelhos celulares e carregadores. 

A mulheres que moram em barracos em frente ao complexo prisional também foram presas. Elas colocavam a droga, as bebidas e celulares na caçamba para facilitar a ação do interno. 

Esquema

Uma das mulheres confessou que ganha R$ 1 mil por mês para ajudar no esquema. Ela afirma que o policial militar reformado fica vigiando o local para avisar o agepen e o interno em caso de presença policial. Todos recebem dinheiro pela participação. 

Uma mulher casada com um dos presos da máxima também acabou na cadeia após os investigadores descobrirem que sua casa no bairro José Maksoud servia de depósito de drogas, para serem posteriormente entregues na cadeia.

O caso foi registrado e os presos aguardam audiência de custódia.