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Polícia

'Reis dos fakes', investigados pela Polícia Federal são comissionados de Bernal

30 novembro 2015 - 07h00Por Diana Christie

Duas pessoas investigadas pela Operação ‘Face to Fake’, deflagrada pela PF (Polícia Federal) para identificar os responsáveis por páginas na internet usadas durante a campanha eleitoral para difamar candidatos ao Governo do Estado, foram nomeados na prefeitura durante a gestão de Alcides Bernal (PP).

De acordo com informações publicadas no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) em 11 de setembro de 2013, Silvano Venâncio de Carvalho ocupava o cargo de Assessor Técnico III e foi designado para conduzir veículos oficiais da Segov (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais) até 1º de dezembro de 2014. A resolução é assinada pelo então secretário Gustavo Freire.

Foto: Reprodução/Diogrande

Na segunda administração de Bernal, Silvano foi nomeado para o cargo em comissão de Assessor Especial III, pelo símbolo DCA-3, em 15 de setembro de 2015. Conforme o Portal da Transparência da prefeitura, a remuneração bruta para o servidor, em outubro, foi de R$ 5.740,25. Assinam o decreto o secretário de Administração, Ricardo Ballock, e o prefeito progressista.

Foto: Reprodução/Diogrande

As investigações da PF apontam que Silvano Venâncio teria atuado nas páginas ‘Os comédias de mentira’, ‘Zé Carioca da Mentira’, ‘João de Deus’, ‘Cleiton Okano’, ‘Aqui o Sistema é Bruto’, ‘Pau na Mula’, ‘O Jogo do Poder’, ‘Lampião do MS’ e ‘Cabra da Peste do MS’, entre junho e 6 de julho do ano passado.

Ele teria atuado na tentativa de denegrir a imagem dos então candidatos ao Governo, Reinaldo Azambuja (PSDB) e Nelsinho Trad (ex-PMDB). Além dos postos na prefeitura da Capital, ele ocupou o cargo de assessor administrativo da Câmara Municipal até abril de 2014 - mesmo sem nomeação.

Já Adriano Vieira Borges foi nomeado para ocupar o cargo de Assessor Técnico I, símbolo DCA-4, também na Segov. O decreto “PE” n. 2.964 foi publicado em 21 de setembro deste ano e, segundo o Portal da Transparência, a remuneração bruta para o posto foi de R$ 3.571,67 em outubro.

 Foto: Reprodução/Diogrande

Em pesquisa pelo Diogrande, é possível perceber que Adriano realizou diversos concursos públicos da prefeitura para áreas administrativas e de saúde. De acordo com a PF, ele teria utilizado a rede de internet registrada em nome da mãe para acessar a página ‘Golpe Nunca Mais', também investigada. Os acessos ocorreram entre 20 de maio e 9 de junho de 2014, a partir de residências no Aero Rancho e na Vila Carvalho.

Apenas Nilson Basilio Guasso e Paulo Roberto Guasso não possuem nomeações na prefeitura. Paulo chegou a ser aprovado em concurso público em 1998, mas foi desclassificado por perder o prazo fixado em edital ou não atender os requisitos e condições do posto. Em 2001, ele ainda requereu uma licença ambiental para um comércio na Vila Bandeirante.

Foto: Reprodução/Diogrande 

Segundo a PF, os dois seriam parentes e teriam administrado as páginas ‘Golpe Nunca Mais’, ‘O Poderoso Chefão’, ‘De Todos Menos do Povo’ e ‘Zecari Hoca’, no Facebook. Os ataques eram direcionados a Reinaldo e ao senador Delcídio do Amaral (PT), entre 26 de junho e 13 de julho. Eles acessaram os IP’s utilizados de, pelo menos, quatro endereços.

A investigação foi motivada pelo excesso de reclamações de candidatos, partidos e coligações registradas no TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral). As ofensas partiam, em sua maioria, de perfis ‘fakes’, palavra inglesa que significa falso, no Facebook. Na ocasião, diversas páginas precisaram ser retiradas do ar.

Na manhã de 18 de agosto de 2015, as autoridades policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz David de Oliveira Gomes, da 36ª Zona Eleitoral de Campo Grande, que acompanha as apurações. Cerca de 80 agentes participaram da execução da Operação.

Ao todo, 35 comunidades e 60 perfis, na maioria falsos, estão sendo investigados pelos agentes. Inclusive, há indícios que agências de publicidades teriam contratado pessoas para praticar atos criminosos contra os políticos. Uma delas seria a produtora Macarena, que teve computadores apreendidos com vídeos e fotos que foram produzidos pela agência e seriam lançados na internet em momento oportuno.