Menu
quarta, 23 de setembro de 2020
Polícia

‘Tirou a vida da filha pra não pagar pensão’, diz mãe de bebê que morreu de broncoaspiração

Bebê estava sob a responsabilidade do suposto pai e avó, que foram encaminhados à delegacia para serem ouvidos e depois liberados

12 março 2019 - 16h52Por Da redação/G1

A mãe da pequena Maria Cecília, de apenas dois meses de idade, Micilene Souza, falou sobre a relação conturbada com o suposto pai da menina, o policial federal Dheymersonn Cavalcante. Ela afirmou, em entrevista ao G1, que o PF matou a filha para não pagar pensão. A criança morreu por broncoaspiração - insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas - na sexta-feira (8), em Rio Branco, depois de ingerir duas mamadeiras de leite artificial. O suposto pai e a mãe dele foram conduzidos à Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e foram liberados em seguida.

Por telefone à produção da Rede Amazônica, o policial Dheymersonn Cavalcante disse que estava sob efeitos de sedativos e que não tinha condições emocionais de se pronunciar sobre o caso neste momento. "Acabei de perder minha filha e ainda estou passando por isso", declarou. A Polícia Federal informou que se trata da vida particular de Cavalcante e que as implicações do caso devem ser realizadas pela Polícia Civil.

“Aqui, devemos colaborar no que for possível com as investigações e instaurar um procedimento interno. Mas, dependerá das investigações realizadas pela Polícia Civil”, disse a PF-AC, por meio da assessoria. Entre lágrimas e muito abalada, a mãe da bebê contou que conheceu Cavalcante quando ele estava em uma missão na cidade de Marechal Thaumaturgo e que eles tiveram um relacionamento de um mês. Micilene contou que quando descobriu que estava grávida e ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência.

“Ele começou a pedir para interromper a gestação, que essa criança não era bem vinda, que não iria assumir nunca. Dizia para eu tirar o bebê. Até os seis meses de gestação arquei com tudo sozinha e, nesse período, entrei com processo de pensão de alimentos gravídicos [pensão durante a gravidez], foi quando ele ficou bonzinho e a mãe dele entrou em contato comigo dizendo que iriam acompanhar a gestação”, lembrou.

Tentativa de aborto

A enfermeira relatou que o policial insistiu para vê-la durante a gestação e, em dezembro do ano passado, eles se encontraram em um hotel em Cruzeiro do Sul. Segundo ela, foi lá que Cavalcante teria tentado fazê-la abortar ao dopá-la.

“Quando acordei pela madrugada, senti muita contração com sangramento e pedi que ele me levasse na maternidade. Ele só pedia para eu ter calma. Liguei para o meu cunhado e ele foi me deixar no hospital. O médico fez o toque em mim, e tirou dois comprimidos de dentro da minha vagina”, afirmou Micilene.

Pedido de DNA

A criança nasceu prematura e chegou a ficar na UTI. A mãe disse que a bebê não conseguia mamar e que teve alergia a todos os leites artificiais. Micilene afirmou que sempre mandava informações e vídeos para o suposto pai e avó da criança.

Na primeira audiência, no início de março, sobre a pensão de alimentos gravídicos, Micilene afirmou que o policial não foi e que a advogada dele disse que ele estava disposto a pagar pelo DNA. Ela contou que no primeiro momento não quis ir a Rio Branco com medo do que o homem pudesse fazer com ela e a criança.

“Eu sentia que ele ia matar a mim, ou minha filha. Bloqueei ele e a mãe dele, e ele mandou mensagem para minha irmã pedindo que eu não fizesse isso. Já à noite, eu decidi ir pra fazer o DNA. Quando cheguei em Rio Branco, tudo eu filmava, porque lá no fundo eu sabia que ele ia fazer alguma coisa com a gente”, afirmou.

Susto na banheira

Micilene lembrou também que durante a estadia na pousada, em Rio Branco, o policial federal e a mãe dele sempre apareciam pelo quarto para visitar a criança e ela. Em uma das visitas, o suposto pai dava banho na bebê e uma vez ela percebeu que a menina começou a se engasgar na água e chegou a ficar sufocada. “Ele estava dando banho na neném e ela [suposta avó] começou a conversar comigo. Em um relapso, quando olhei, minha filha estava engasgando na banheira, toda sufocada. Saltei da cama e peguei ela e perguntei o que ele tinha feito. Ele falou que não sabia. Fiz massagem e ela foi voltando e não deixei mais ele pegar”, contou.

Depois disso, Cavalcante e a mãe pediram para levar a criança para tirar fotos de família e por três dias seguidos a enfermeira acabou permitindo. Segundo ela, nas duas primeiras vezes, quando a filha voltava, ela percebia que a menina estava mole e sonolenta. “Por isso que eu me sinto culpada, porque foi de novo, porque já eram dois dias tirando foto, e só hoje eu percebo que tinha alguma coisa armada aí. Ela olhou para mim com um olhar tipo pedindo ‘mamãe me salva’ e eu não fiz nada por ela”, falou, entre lágrimas.

Dia da morte

Depois de quase de três horas que o policial e a mãe levaram a criança para tirar fotos de família, no terceiro dia, ele ligou para Micilene para falar que a menina estava no hospital. De acordo com ela, Cavalcante afirmou que a criança estava bem e pediu que ela fosse até o hospital.

Já no hospital, a enfermeira contou que a avó da criança relatou que tinha dado duas mamadeiras para a bebê porque “queria ficar mais tempo com a neta”. Às 23h, Micilene disse que foi informada da morte da filha por broncoaspiração.

“Só quem perdeu fui eu, tudo isso por causa de R$ 477 reais. Não consigo imaginar o que eles fizeram com a neném, se ele asfixiou ela, ou se deu leite em excesso até ela golfar. Eles estão livres agora. Ele tirou a vida da filha só para não dar pensão. Era tudo premeditado. Eu não queria ter ido e voltei para casa sem minha filha”, concluiu a mulher.

Investigação policial

O delegado Martin Hessel, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e responsável pelas investigações, contou que recebeu a denúncia no sábado [9] à tarde e logo iniciou as oitivas tanto do policial, como da mãe dele. Ele preferiu não dar detalhes dos depoimentos para não atrapalhar as investigações.

“A gente abriu a investigação e, embora tenha esse contexto todo do histórico da relação entre a mãe da criança e o suposto pai, é muito cedo dizer que houve homicídio intencional. Mas, já ouvimos muitas pessoas e agora estamos aguardando os laudos. Os dois [pai e avó] foram conduzidos, mas não haviam elementos suficientes para que fosse feita uma prisão em flagrante”, disse o delegado.

Ainda devem ser ouvidos os médicos e paramédicos do Samu que atenderam a ocorrência e os médicos que atenderam a criança no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), de acordo com o delegado.

Especialista fala sobre cuidados

A pediatra neonatologista e alergista Alexsandra Bragança alertou sobre os cuidados que devem ser tomados com relação à alimentação de bebês prematuros. Segundo ela, é feito um cálculo com base no peso da criança para determinar a quantidade e o tempo para amamentação. “A alimentação no bebê prematuro é, de preferência, exclusiva o leite materno. Porque o intestino do bebê ainda é muito imaturo. Quando essas mães não têm leite suficiente, a gente tenta uma fórmula para prematuros. Quando eles vão para casa, e a mãe não tem o leite, é feito um cálculo com o peso do bebê e quantidade que ele pode ingerir, depois disso, essa mãe é orientada”, explicou a pediatra.

No caso de bebês que são alimentados por mamadeira, a orientação é que os recém-nascidos sejam colocados de forma inclinada. A pediatra alerta ainda sobre o cuidado de deixar o bebê na vertical após a ingestão do leite, para evitar refluxo. “Quando você termina de dar a alimentação, ainda fica de 15 a 20 minutos com o bebê em posição vertical, para depois deitá-lo. Pode acontecer que o aumento da fórmula seja um pouco maior do que a capacidade gástrica dele, e ele pode ter o refluxo, podendo ainda ter uma asfixia, caso o responsável não esteja prestando atenção”, alertou a médica.

Leia Também

Homem de 62 anos se masturba enquanto chama criança de oito anos para sexo em Coxim
Interior
Homem de 62 anos se masturba enquanto chama criança de oito anos para sexo em Coxim
De 36 detentos, só dois foram recapturados após fuga em massa por causa da covid no PR
Geral
De 36 detentos, só dois foram recapturados após fuga em massa por causa da covid no PR
Com 836 óbitos no dia, total de brasileiros mortos na pandemia chega a 138 mil
Geral
Com 836 óbitos no dia, total de brasileiros mortos na pandemia chega a 138 mil
Quadro em branco: aula na rede municipal só online e retorno presencial segue indefinido
Cidade Morena
Quadro em branco: aula na rede municipal só online e retorno presencial segue indefinido