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Área de conflito por terra, somente Caarapó vai receber reforço do Exército para as eleições

Outras cidades fronteiriças com registro de violência não terão apoio militar

30 SET 2016
Thiago de Souza
20h00min
Militares irão a Caarapó fazer a segurança das eleições Foto: Vladimir Platonow - Agência Brasil

No dia 2 de outubro tropas federais do Exército Brasileiro estarão em Caarapó para garantir a segurança nas eleições municipais. A região é palco de constantes conflitos por terra entre índios e produtores rurais, que deixou no último confronto, em junho deste ano, um morto e seis feridos. Porém,  e outras cidades fronteiriças, também cenário de diversos casos de violência, não terão apoio militar para o pleito.  

De acordo com a assessoria do CMO (Comando Militar do Oeste), em Campo Grande, a tropa a ser empregada em Caarapó é a do 11º RC Mec (Regimento de Cavalaria Mecanizada) situada em Ponta Porã. Os militares ficarão na região da Escola Nhandejara, em Caarapó.  


(Militares atuarão na segurança e apoio logístico nas eleições deste ano - Foto: Roosevelt Pinheiro - Agência Brasil) 

Em todo o país, oito estados vão receber auxílio das tropas federais, que contarão com cerca de 20 mil militares, 880 viaturas, 85 embarcações e 21 aeronaves. O apoio foi autorizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e ratificado no último dia 27. Em Mato Grosso do Sul, o requerimento para receber apoio militar partiu do TRE-MS e foi aprovado pelo ministro Henrique Neves. Na noite desta quinta-feira, o TSE aprovou envio de homens da Força Nacional de Segurança para aturar em Ponta Porã e Caarapó.  

A Resolução TSE nº 21.843/2004 regulamenta a requisição da Força Federal para apoio nas eleições. De acordo com a norma, os Tribunais Regionais Eleitorais deverão encaminhar ao TSE as relações das localidades onde se faz necessária a presença de tropas federais.  

(Força Nacional vai atuar em Ponta Porã Foto: Sejusp)

Fronteira vulnerável

Em 15 de junho deste ano o narcotraficante Jorge Rafaat foi executado com tiros de metralhadora capaz de abater até aeronaves, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, cidade que faz fronteira com Ponta Porã. 

A execução mais pareceu uma cena de filme de guerra, onde traficantes rivais trocaram tiros que se espalharam por todos os lados, deixando pelo menos sete feridos. Jarvis Gimenes Pavão, também comerciante de drogas, é o suspeito de ter ordenado a execução de Rafaat, que sem o rival pela frente, conduziria o tráfico de drogas na fronteira com apoio do PCC (Primeiro Comando da Capital).  

A vulnerabilidade da região de fronteira se dá porque em muitos casos, criminosos cometem assassinatos contra políticos brasileiros e fogem rapidamente e com certa facilidade em direção ao país vizinho. O contrário também acontece, fazendo com que cidades sul-mato-grossenses abriguem criminosos fugidos do Paraguai. Em diversas cidades do Estado foram registrados casos de violência relacionados ao período eleitoral. Armas, drogas e muniçõe foram apreendidas pela polícia.

No dia 9 de setembro, a rádio Amambay FM, em Pedro Juan Caballero, foi alvo de um atentado a bomba, que deixou duas pessoas feridas. A emissora é de propriedade do senador paraguaio Roberto Acevedo, que vinha denunciando o tráfico de drogas na região. Ele e a rádio já haviam sofrido outros atentados. A suspeita então é de represália dos traficantes denunciados.  

Em Tacuru, também fronteira com o Paraguai, cinco pessoas foram presas acusadas de portar armas na intenção de ameaçar e comprar votos de eleitores nas regiões de aldeias indígenas da cidade. Um das armas é um fuzil calibre .762.   

Polícia Civil 

A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) também anunciou reforço para as eleições desse domingo. Também disse que a Polícia Civil já intensificou as ações no Estado, para evitar diversos crimes. Entre as ilegalidades eleitorais mais comuns, estão a boca de urna, o uso de equipamentos de som para promoção de candidato ou coligação, a aglomeração com a intenção de impedir ou fraudar a eleição, a tentativa de violar o sigilo do voto, a promoção de desordem que prejudique os trabalhos eleitorais e a falsificação de documentos para votar em nome de outra pessoa. 

“A Polícia Civil atuará em parceria com a Polícia Federal e com a Polícia Militar em todos os municípios do Estado para combater esses tipos de crimes. A Polícia Civil estará atuando como Polícia Judiciária nos municípios onde não há uma representação da Polícia Federal, sempre com o objetivo de manter a ordem durante as eleições”, informou o delegado Rodrigo Vasconcelos, titular da Depac Centro em Campo Grande.

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