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Política

Bancada petista de MS abandona Delcídio e blinda Dilma

25 novembro 2015 - 10h10Por Diana Christie

A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), na manhã de hoje (25), surpreendeu a bancada petista sul-mato-grossense, que ainda busca mais informações sobre as provas apresentadas pelo MPF (Ministério Público Federal) para conseguir a autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) em uma decisão inédita no país.

Neste momento de apreensão no Palácio do Planalto, os parlamentares concentram esforços para desligar a imagem da presidente Dilma Rousseff (PT) dos supostos crimes cometidos pelo líder do governo no Senado. “A prisão do Delcídio é mais um golpe no governo, mas importante dizer que não a Dilma não está envolvida”, frisa Cabo Almi (PT).

Segundo o deputado estadual, o principal, neste momento, é ressaltar que o MPF e o juiz Sérgio Mouro ou o STF (Supremo Tribunal Federal) já teriam declarado, por diversas vezes, que não há provas de possível envolvimento tanto de Dilma quanto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que as prisões desgastem o partido como um todo.

Sobre a prisão de Delcídio, do chefe de gabinete do senador, Diogo Rodrigues, e de um advogado, Cabo Almi afirma que eles terão direito de se defender. “Os tempos são outros. Ninguém está acima da lei e, infelizmente, quem cometeu crime está sujeito a isso. Ele tem o direito de se defender. A presunção da inocência é de todo ser humano, agora a Justiça existe para provar se o camarada for culpado. Se for, ele tem que pagar”.

Para o deputado estadual Amarildo Cruz (PT), a prisão do senador não vai sujar a imagem da presidente Dilma. “Ela vai nomear outro líder do governo e tocar o que precisa dentro do Senado. Não tem impacto nenhum. Momentaneamente, até esclarecer essa situação, tenho certeza que ela tem um substituto à altura. Tanta gente que você escolhe para tanta coisa. As pessoas não tem estrela na testa, tem que ver se comprovadamente tem algo contra ele”, garante.

De acordo com Amarildo, o Brasil está vivendo uma época de “absurdos” em que as pessoas são presas com base em depoimentos. Ainda assim, ele destaca que não teve acesso à decisão do STF, portanto não pode avaliar a situação claramente. “Eu não tenho conhecimento do despacho do ministro que autorizou a detenção. Ele tem que ter fundamentação para isso. Não pode prender alguém sem justificativa plausível”.

Mesmo considerando os depoimentos do lobista Fernando Soares, mais conhecido como Baiano, que apontou o senador como um dos beneficiários de propinas entregues a políticos para garantir o contrato de afretamento do navio-sonda Petrobras 10.000, ou da suposta gravação em que Delcídio oferecia meios para que Nestor Cerveró conseguisse fugir, Amarildo alega que são apenas suposições.

“Essa conversa de delator é conversa. Não vi nenhum documento de prova concreta que normalmente a Justiça exige para qualquer caso. Se for prender porque alguém disse, vai prender todo mundo porque as pessoas sempre tem algo a dizer sobre as outras. Não tive acesso à gravação, não se tornou público. Não posso dizer em cima de suposição. É complicado fazer comentário acima de achismo. Prefiro comentar em cima de fatos concretos”, finaliza.

Opinião semelhante do deputado federal Zeca do PT. “Acabei de saber pela imprensa. Tenho que ver o que está por trás disso. Eu tenho que falar com as pessoas. Em principio, o Delcídio é um grande companheiro nosso”, completa.