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PMCG - Prestação de contas

Bernal deu 'beijo de Judas' na população de Campo Grande ao apoiar Marquinhos

Eleitor que acreditou no discurso de renovação já pode se considerar traído pelo pepista

10 OUT 2016
Vinícius Squinelo
13h24min
Foto: Reprodução

Quando o prefeito Alcides Bernal, do PP, anunciou  o apoio ao candidato Marquinhos Trad, do PSD, para o segundo turno, deu o ‘beijo de Judas’ ao eleitor que acreditou no discurso de renovação política. Nesta alegoria, o sacrifício será da população, que continuará sob o domínio do mesmo grupo político, tão criticado pelo chefe do Executivo, agora de mãos dadas com quem antes brigava publicamente.

Durante as conversas, Bernal acertou com Trad 11 compromissos para serem cumpridos. Porém, o prefeito esquece que, logo que assumiu, prometeu aos seus 270 mil eleitores que a 'dinastia existente' iria acabar. Bernal ainda criticou fortemente vários contratos que foram fechados ao apagar das luzes na gestão anterior, feitos pelo irmão do atual candidato, o ex-prefeito Nelson Trad Filho, do PTB. A CG Solurb, que depois sofreu devassa da Polícia Federal, é só um dos exemplos.

Entre os acordos criticados por Bernal, estava o misterioso acerto com a Solurb, empresa envolvida em diversos escândalos e investigada na Lama Asfáltica por irregularidades na licitação e relações umbilicais com a então esposa de Nelsinho, Antonieta Trad, e João Amorim, irmão da então esposa de Nelsinho.

Porém, misteriosamente, logo que retornou ao cargo, Bernal não quis mais comentar mais sobre o caso, e nem sequer tentar desfazer a licitação, mesmo com aval da PF.  

Exemplo maior foi a Operação Coffee Break, que apontou suposto esquema para cassar o mandato de Bernal. Entre os envolvidos, Nelsinho Trad e Otávio Trad, ambos denuciados pelo Ministério Público Estadual. Nas interceptações telefônicas há ainda citação ao próprio Marquinhos, que teria sido incumbido da função de 'conseguir' o voto de outro vereador, Coringa. O caso foi denunciado pela Revista Veja, confira clicando aqui.

Outro contrato criticado foi o Gisa, programa criado para melhorar o sistema na área da saúde na Capital, com agendamento de consultas do SUS (Sistema Único de Saúde) por telefone. No entanto, esse programa jamais saiu do papel e Nelsinho Trad, junto com o deputado federal e primo, Henrique Mandatta, do DEM, chegaram a ter os bens bloqueados a pedido da Controladoria-Geral da União, que denunciou o caso. O município que paga o prejuízo.

Além disso, durante o primeiro turno, no último debate antes das eleições, Bernal ‘cutucou’ Marquinhos, relembrando o tempo de Nelsinho Trad e do PMDB à frente de Campo Grande, e o suposto descaso do grupo com a mobilidade urbana de Campo Grande. As brigas, porém, ficaram mesmo no passado, já que agora a dupla anda de mão dada.

Ao anunciar apoio a Marquinhos Trad, o fato pode equiparar-se a passagem bíblica em que Judas dá o beijo em Jesus e, logo depois, o trai. Porém, neste caso, os 'traídos' são os 270 mil eleitores que votaram nele em 2012. Ou ainda, os 111 mil que apostaram nele de novo. Bernal quebrou mais um ciclo da história política campo-grandense, entra na lista sendo o primeiro prefeito a não ser reeleito, mas caiu na mesmice se voltando aos antigos grupos de poder.

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