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Política

há 54 minutos

Bolsonaristas atropelam pastores e igrejas na eleição em MS

Republicanos dobra a bancada estadual com deputados recém-filiados, e Antonio Vaz, único nome da igreja na Casa, fica na suplência por 415 votos

A eleição que deu à direita o governo, as duas vagas no Senado e sete das oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara deixou menor a presença de pastores nos cargos eletivos. Dos dois deputados estaduais com vínculo documentado com igrejas evangélicas, só um volta em 2027.

Quem fica de fora é Antonio Vaz (Republicanos), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Ele teve 19.101 votos, praticamente o mesmo que os 19.395 de 2022, quando se elegeu. Desta vez não bastou: terminou como suplente, 415 votos atrás de Pedrossian Neto, o segundo colocado do partido.

Vaz perdeu a vaga dentro da própria legenda. O Republicanos, sigla que é o braço político da Igreja Universal, elegeu dois deputados estaduais, Renato Câmara e Pedrossian Neto. Os dois se filiaram em 31 de março, no fim do prazo legal, vindos de outros partidos. Em abril, Vaz deixou a presidência estadual da sigla, que passou ao deputado federal Beto Pereira, ex-PSDB e aliado do senador eleito Reinaldo Azambuja (PL). O partido ficou na órbita do azambujismo em MS. 

A troca rendeu votos. O Republicanos elegeu dois federais, Beto Pereira (77.485) e Isa Marcondes (76.956), e dois estaduais. Nenhum dos quatro tem trajetória na igreja.

O caso de Isa é de dar glórias em relação à origem do partido. Vereadora em Dourados, ela ficou conhecida no estado como dona da zona, já que diz que foi proprietária de uma casa de prostituição. 

Na reta final da campanha, após a exposição de vídeos antigos seus em grupos de WhatsApp e avisos de que outros vídeos mais constrangedores seriam vazados, ela foi às suas redes e ameaçou divulgar vídeos de políticos e outras autoridades que estiveram em seu cabaré. O vídeo teve milhares de visualizações e o assunto sumiu das redes. 

Foi a sétima mais votada para a Câmara em MS, pela sigla criada sob influência da Universal.

Outro nome do partido citado com ligações dentro da igreja FIT, Herculano Borges, encolheu: caiu de 17.786 votos em 2022 para 12.781 agora. Não se elegeu e volta para o mandato de vereador da Capital.

Pastores subiram o monte

A retração começou antes da votação. Em 2022, 14 dos 558 candidatos a deputado no estado usavam título religioso no nome de urna ou declaravam ocupação religiosa ao TSE. Metade era dos Republicanos. Juntos, somaram 45.458 votos, e nenhum se elegeu.

Em 2026, foram 5 entre 377 candidatos, com 483 votos no total.

O espaço foi ocupado por candidatos que falam ao eleitor evangélico sem passar pela estrutura das igrejas. O PL, partido dos Bolsonaro e de Azambuja, fez 9 das 24 cadeiras da Assembleia e elegeu os dois senadores. Evangélicos são 32,5% da população do estado, de acordo com Censo 2022. Uma pesquisa do instituto Qaest aponta 35% da população em MS como evangélica.

Ungido 

O único candidato com apoio declarado de uma denominação a se eleger foi Lidio Lopes (Avante), reeleito com 20.516 votos. Em agosto, o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, o apresentou como candidato oficial da igreja em MS, segundo release distribuído pela assessoria do parlamentar, que é marido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP). Lidio concorreu fora do PL e do Republicanos.

O quadro se repetiu em outros estados. Quatro filhos do missionário R.R. Soares que tinham mandato em São Paulo e no Rio não se reelegeram. A igreja tem ligações com MS, já que a família tem empresas de comunicação por aqui, o SBT MS, TV Guanandi e a RIT de Dourados. 

A Assembleia de Deus do Brás lançou quatro candidatos em São Paulo e não elegeu nenhum. Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, perdeu a cadeira na Assembleia paulista.

A revista Comunhão contou 311 candidaturas com "pastor" no nome em todo o país, contra 524 em 2022.

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