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Política

Bolsonaro sobre caso Neymar: 'o que ela fez atravessando o Atlântico?'

"É um jovem garoto. Tenho filhos mais novos e mais velhos que ele. Gosto do pai dele", disse o presidente

07 junho 2019 - 08h36Por Da redação/BBC Brasil

O presidente Jair Bolsonaro comentou durante sua visita a Buenos Aires a acusação de estupro contra o jogador Neymar. Questionado por jornalistas se acreditava que o atleta era inocente, ele respondeu: "Pelo que eu vi até agora é, né?", afirmou logo após almoço com o presidente argentino, Mauricio Macri.

"Peraí, se você analisar o contexto ali, o que que ela fez atravessando o Atlântico, né? Ela falou, eu vi no Cabrini (Roberto Cabrini, jornalista do SBT) parte da entrevista, ela dizendo que foi lá pra fazer... fazer amor com ele", acrescentou, referindo-se à modelo Najila Trindade Mendes, que fez a denúncia. Ao comentário de que o jogador não teria sido "muito amoroso" com Najila, o presidente afirmou: "Eu não sei, não tava no quarto".

Sobre o encontro com o jogador na noite de quarta-feira, no amistoso entre Brasil e Catar, Bolsonaro disse ter conversado "amenidades". "É um jovem garoto. Tenho filhos mais novos e mais velhos que ele. Gosto do pai dele", emendou.

Eleições argentinas

O presidente também foi questionado sobre seus comentários a respeito das eleições argentinas, com endosso explícito à reeleição de Mauricio Macri, e sobre como ficaria a relação entre os dois países caso a chapa da ex-presidente Cristina Kirchner vença as eleições de outubro.

Em maio, Kirchner anunciou que seria vice na chapa de Alberto Fernández, que foi seu Chefe de Gabinete por um curto período. A decisão da senadora de não ser cabeça de chapa, que surpreendeu o mundo político argentino, foi considerada uma estratégia da ex-presidente para tentar contornar o nível alto de rejeição à sua figura.

A jogada também foi interpretada como um aceno aos eleitores de centro, já que Fernández é visto como peronista moderado. No comunicado conjunto com Macri, realizado na Casa Rosada na manhã desta quinta-feira (6), Bolsonaro pediu aos argentinos que votassem com a "razão" e não com a "emoção". Ao contrário de outras ocasiões, entretanto, ele não citou o nome de Cristina Kirchner.

Perguntado sobre o mesmo assunto no fim do dia, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que a avaliação de que o governo brasileiro estaria interferindo em assuntos internos do vizinho seria uma "questão de interpretação": "A gente tá deixando claríssima nossa vontade de trabalhar com o presidente Macri, independentemente das circunstâncias hoje".

Quanto à possibilidade de vitória da chapa da senadora, declarou: "se vier outro cenário, nós vamos ver o que fazer". "A gente não pode se restringir do que fazer agora", acrescentou. O presidente Bolsonaro tem dito que a eleição de Cristina aumentaria o risco de que a Argentina virasse uma "nova Venezuela".

A primeira visita oficial à Argentina

Bolsonaro foi a Buenos Aires acompanhado de sete ministros, entre eles o da Economia, Paulo Guedes, a da Agricultura, Tereza Cristina, e o do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. O governador do Rio, Wilson Witzel, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também acompanharam a comitiva.

O Mercosul foi um dos principais temas do encontro. Segundo o ministro das Relações Exteriores, a negociação do acordo do bloco com a União Europeia, que se estende há 20 anos, está próxima à conclusão. A expectativa é que a assinatura aconteça na reunião técnica entre as duas partes marcada para os dias 27 e 28 de junho na Bélgica, em paralelo à reunião da cúpula do G20.

De acordo com o Itamaraty, durante a visita também foram reafirmados compromissos antigos entre os dois países, como a cooperação na área de energia nuclear, por ocasião dos 25 anos do acordo quadripartite, e a aliança entre Forças Aéreas argentinas e Embraer na construção do cargueiro militar KC-390.

Brasil e Argentina reafirmaram ainda seu posicionamento em relação à Venezuela, de apoio ao presidente autodeclarado Juan Guaidó e de exercício de "pressão política e diplomática para sobre o regime de Maduro para que se permita o início de um processo de transição democrática", como definiu o chanceler.

Até a Guerra das Malvinas esteve na pauta. O comunicado do Itamaraty informa que o Brasil reiterou o apoio à soberania Argentina sobre o arquipélago, controlado pelo Reino Unido desde o início dos anos 80, após o conflito que marcou o fim da ditadura na Argentina.