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Câmara quer rever contrato do transporte coletivo, mas devassa pode respingar em Nelsinho

Os parlamentares querem saber o valor do reajuste para o próximo ano e avaliar a qualidade do serviço

7 NOV 2016
Rodson Willyams
09h00min
Foto: Geovanni Gomes

A Comissão Permanente de Transporte e Trânsito da Câmara Municipal de Campo Grande realiza, nesta segunda-feira (7), uma reunião com as principais entidades do setor do transporte coletivo para constatar se haverá, de fato, aumento na tarifa do vale transporte, que pode chegar R$ 4. Além disso, membros da Comissão defendem a revisão do contrato fechado com a concessionária do setor. O assunto é delicado, pois o acordo foi fechado ao apagar das luzes do governo do ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), irmão do prefeito eleito, Marquinhos Trad (PSD).

Segundo o vereador Chiquinho Telles (PSD), Campo Grande precisa fazer um raio-x no contrato. Para o parlamentar, o serviço em Campo Grande anda 'capenga', e há necessidade de saber se o contrato prevê um auxiliar dentro do coletivo. "Hoje temos apenas uma pessoa transportando milhares de pessoas por dia e nós precisamos rever isto". 

Telles ainda afirmou que, diariamente, tem recebido várias reclamações da população, que está insatisfeita com o setor. "São várias, desde o fechamento de terminal até a questão do valor da tarifa. Nós precisamos conversar com todos os setores e também entender qual é a responsabilidade de cada um". 

O parlamentar ainda denunciou que, hoje, é quase que impossível ter acesso ao contrato assinado. "Marquinhos disse que quer ser mais transparente. Então, ele tem que ter pulso e exigir que o transporte coletivo mostre o contrato, precisamos saber o que foi firmado e o quanto ele realmente recebe". 

Vereador Chiquinho Telles - Foto: André de Abreu

Gestões passadas
A revisão de contrato pode respingar diretamente no ex-prefeito Nelsinho Trad. Foi em outubro de 2012, que o Consórcio Guaicurus venceu a licitação para explorar o serviço por mais de 20 anos em Campo Grande. Na época, a previsão de faturamento era de R$ 3,4 bilhões. A receita anual do serviço era de R$ 172.085.012,40 na Capital. E, naquela ocasião, o consórcio ofereceu R$ 20 milhões à prefeitura para explorar o serviço. Na licitação, o exigido estipulado era o pagamento mínimo de R$ 10 milhões. 

O Consórcio Guaicurus chegou a disputar a licitação com a empresa Auto Viação Redentor, de Curitiba (PR), mas que acabou derrotada na ocasião. O Consórcio foi formado pelas viações Cidade Morena, São Francisco, Jaguar Transportes Urbanos e Viação Campo Grande, que juntas formam a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Assetur). 

O fato da Comissão abrir a 'caixa preta' do transporte público, que foi ignorada pelo atual prefeito Alcides Bernal, do PP, que concedeu inclusive, aumentos na tarifa sem discutir a questão, via decreto, pode agora colocar o irmão do prefeito eleito Marquinhos Trad em situação delicada. 

Ao ser questionado sobre o caso, Chiquinho Telles, que luta para que o Terminal das Moreninhas não ser fechado, afirmou que Marquinhos Trad não 'vai olhar para trás'. "É uma administração que passou. O prefeito quer ser mais transparente e, juridicamente, o Marquinhos disse tem [como ser revisto]. Não tem como discutir entre dois e três e oferecer um serviço negligente", finalizou. O parlamentar também defende a mesma posição em relação ao contrato com o Consórcio Águas Guariroba. 

Reunião

A reunião está prevista para acontecer às 9 horas desta segunda-feira (7), na sala dos vereadores, na Câmara Municipal. Foram convidadas as seguintes entidades: Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Controle (Seplanfic), Secretaria Municipal da Receita (Semre), Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e Assetur.

Chiquinho não descartou convidar representantes de Marquinhos Trad e até de convidar o prefeito Alcides Bernal. 

Caso não haja um entendimento, o parlamentar considera a possibilidade de fazer uma audiência pública sobre o caso, ainda neste ano, na Casa de Leis. 

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