(67) 99826-0686

'Depredação é delito, não é manifestação', diz Michel Temer

Novo presidente voltou a comentar os atos de vandalismo em protestos

4 SET 2016
O Globo
14h55min
Foto: Beto Barata

presidente da República, Michel Temer, voltou a falar neste domingo, em sua viagem à China, sobre atos de vandalismo registrados na onda de manifestações que tem se espalhado nos últimos dias por cidades brasileiras para protestar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e contra o governo do peemedebista. Em uma entrevista coletiva, Temer afirmou que, na opinião dele, "depredação é delito, não é manifestação".

Na véspera, em outra entrevista, o peemedebista tentou minimizar as manifestações contra sua gestão, atribuindo os protestos a "grupos pequenos e a depredadores". Na ocasião, ele também disse que os atos dos últimos dias não foram "democráticos".

Neste domingo, o novo chefe do Executivo federal afirmou que, para ele, o movimento de junho de 2013, no qual milhões de brasileiros saíram às ruas do país para reinvindicar, entre outros pontos, a melhoria dos serviços públicos, "naufragou" em razão dos "depredadores".

"Ontem [sábado], eu disse que uma coisa é a manifestação democrática, que é importantíssima. [...] O movimento de junho de 2013 naufragou por causa dos depredadores. Quando começaram a depredar, o movimento ficou paralisado", destacou Temer aos jornalistas na China, onde está nos últimos três dias para participar de encontro de cúpula dos países do G20.

"O povo brasileiro não é afeito à depredação, e nem a ordem jurídica permite a depredação. A depredação é delito, não é manifestação", complementou.

Os protestos contra Temer que eram pontuais nos últimos meses, se intensificaram desde que o Senado decidiu afastar definitivamenteDilma Rousseff da Presidência da República. Na última sexta-feira (2), manifestantes contrários a Temer voltaram a sair às ruas para pedir a saída do peemedebista do Palácio do Planalto e a realização de novas eleições presidenciais.

Em São Paulo, o protesto teve depredação de concessionárias e de pontos de ônibus e bloqueio de vias, como a Marginal Pinheiros. O ato começou pacífico no Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, mas ficou violento depois de policiais militares impedirem os manifestantes de seguirem até a Praça Benedito Calixto.

No Rio de Janeiro, um protesto percorreu ruas do centro e teve a presença de mascarados. Em meio à manifestação, houve uma confusão, na qual ativistas atiraram garrafas contra os PMs, que revidaram com spray de pimenta.

Porto Alegre também registrou protesto pela saída de Temer da Presidência na sexta-feira. Um grupo pôs fogo em contêineres de lixo e, pelo menos, quatro agências bancárias foram apedrejadas. Também houve confrontos entre integrantes do ato e policias militares, que usaram bombas de gás lacrimogênio contra os manifestantes.

No centro de Florianópolis, o protesto também começou pacífico, mas houve tumulto e confronto de manifestantes com a polícia. Participaram 7 mil pessoas, segundo os organizadores.

Em Salvador, os manifestantes pediram novas eleições. Foram 5 mil pessoas, segundo os organizadores, e 3 mil, de acordo com a polícia. Em Goiânia, 2 mil pessoas foram às ruas, segundo os organizadores, e 60, de acordo com a polícia.

 

Veja também