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Dilma 'ousou não barrar investigação contra corrupção', diz Cardozo

Advogado da presidente afastada fala nesta terça-feira (30) no Senado

30 AGO 2016
O Globo
13h05min
Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo

Advogado de Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo faz nesta terça-feira (30) a defesa da presidente afastada no julgamento do processo de impeachment no Senado. Para Cardozo, Dilma foi condenada "porque ganhou uma eleição contrariando interesses" e "porque ousou não impedir as investigações contra corrupção no Brasil".

Afirmou ainda que talvez daqui a um temop ninguém se lembre "do que Dilma é acusada". Ele  fala após os advgados de acusação, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior.

Cardozo delcarou que se está afastando Dilma sem nem que o povo saiba qual o "crime hediondo" do qual ela está sendo acusada.

No início de seu pronunciamento, Cardozo disse que esta não é a primeira vez que Dilma senta-se no banco dos réus. Na ditadura, ela o fez por três vezes: nas auditorias militares de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

"Ela era acusada de lutar a favor da democracia e contra a ditadura", afirmou o advogado de defesa, citando a luta por "uma sociedade mais justa e fraterna". "Lutar. Essa era a acusação que a ela se dirigia." De acordo com ele, a acusação formal era "um pretexto", o que, para o advogado, se repete no processo de impeachment.

'No minuto seguinte'

Cardozo Disse que o processo de impeachment começou "no minuto seguinte em que Dilma ganha a eleição presidencial". Citou então aqueles que criticaram o fato de os eleitores da presidente votar "comprados pelo Bolsa Família". Para o advogado, a partir daí que se passou a buscar um "pretexto para o impeachment".

Em suas alegações, o advogado da presidente afastada destacou o papel do então presidente da Câmara na época da abertura do processo, Eduardo Cunha. Cardozo disse acreditar que muitos apoiaram Cunha por ver, nele, o homem capaz de desestabilizar o governo. O recado era "parem com a Lava Jato, demitam o ministro da Justiça e o chefe da PF".

Eduardo Cunha tornou-se então o vértice dos derrotados em 2014 e dos que queriam barrar a Lava Jato, afirmou Cardozo. Naquele momento, o governo perdeu a maioria.

Próxima etapa

Depois do pronunciamento de Cardozo, estão previstas réplica e tréplica de 1h cada para acusação e defesa. Com isso, a fase de debates entre os advogados deve durar, ao todo, 5h.

Após o debate entre os advogados, terá início a fase de manifestação dos senadores sobre o processo.

Cada um terá até 10 minutos para discursar, o que deve fazer com que a sessão se estenda por muitas horas. Caso os 81 senadores decidam se pronunciar pelo tempo máximo, a previsão é de que, só esta fase, dure 13 horas e meia.

 

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