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ENTREGAS

Dos 29 eleitos, só 19 vereadores atuam hoje em legislatura marcada pela Coffee Break e escândalos

Foram casos de corrupção, exploração sexual de menores e denúncias compra de votos

14 SET 2016
Thiago de Souza
07h00min

A 9ª legislatura da Câmara Municipal de Campo Grande, que se encerra dia 31 de dezembro deste ano, foi uma das mais turbulentas da recente história política da Capital. Casos de corrupção, exploração sexual de menores e denúncias de compra de votos fizeram o legislativo sair da editoria política para a de polícia, sendo capa diária na imprensa local e, não poucas vezes, nacional. Dos 29 vereadores eleitos em 2012, apenas 19 vão terminar o mandato.

Junto ao prefeito Alcides Bernal foram eleitos em 2012 os vereadores Chocolate, Cazuza, Edson Shimabukuro, Airton Araujo, Coringa, Thaís Helena, Eduardo Romero, Chiquinho Telles, Alceu Bueno, Paulo Pedra, Otávio Trad, Vanderlei Cabeludo, Mário César, Professor João Rocha, Carla Stephanini, Elizeu Dionízio, Gilmar da Cruz, Herculano Borges, Grazielle Machado, Airton Saraiva, Carlão, Flávio Cézar, Dr Jamal, Delei Pinheiro, Edil Albuquerque, Paulo Siufi, Luiza Ribeiro, Rose Modesto e Zeca do PT.

2013

Ainda no final do primeiro ano de legislatura, o TRE-MS cassou, por compra de votos, o mandato de quatro vereadores: Paulo Pedra, Thaís Helena e Delei Pinheiro . Houve a recontagem de votos, e então assumiram em seus lugares Roberto Durães (PSC), Eduardo Cury (PTdoB) e Lívio Viana (PSDB). Em separado também foi cassado o vereador Alceu Bueno, acusado do mesmo crime.

Muitos problemas

Alceu Bueno, que já havia perdido o mandato em 2013, foi condenado em novembro de 2015, dessa vez pela Justiça Estadual por crimes de extorsão, exploração sexual de vulnerável, corrupção de menores e associação para o crime e tráfico de menor para fins de exploração sexual. Ele renunciou ao cargo e, em seu lugar, entrou o vereador Betinho (PRB).

"Música no Fantástico"

O vereador se viu com problemas na Justiça pela terceira vez. Ele também foi denunciado à Justiça pelo MPE, por corrupção passiva ao aceitar vantagem para votar pela cassação de Alcides Bernal.

Protestos

Ainda em 2013, os parlamentares se viram diante de intensos da população da Capital, que seguiu uma onda nacional de manifestações contra a corrupção. Houve até quebra-quebra na porta da Câmara Municipal.

Coffee Break

Uma série de denúncias atingiu a Câmara Municipal em 25 de agosto de 2015. A Operação Coffee Break, desencadeada pelo Gaeco, do Ministério Público Estadual, investigou um esquema de compra de votos dos vereadores para cassar o mandado do prefeito Alcides Bernal. Dos 29 legisladores, 23 votaram pela deposição do pepista.  

Quando da deflagração da operação, o Gaeco conseguiu 17 mandados de busca e apreensão, a maioria na casa dos vereadores, e a condução coercitiva de nove deles.

A  investigação, feita por uma força-tarefa de promotores, é um desdobramento de duas outras operações: a Adna - do próprio MPE, nome em alusão a igreja Assembleia de Deus Nova Aliança, da qual Gilmar Olarte era presidente e fundador, que investiga esquema de empréstimo com agiotas, com a promessa de vantagens na prefeitura na gestão de Olarte como pagamento. A outra é a Lama Asfáltica, conduzida por órgãos federais que apurou esquema de desvio de recursos públicos nas obras de recuperação da MS-171, região de Aquidauana.

O nome coffee break foi dado pelos investigadores em alusão ao termo "cafezinho", utilizado pelos vereadores em conversas telefônicas se referindo a reuniões para receber dinheiro ou vantagens em troca de votos para cassar o prefeito Alcides Bernal.  

Em maio deste ano, o MPE denunciou diversas pessoas à Justiça, entre elas estão os vereadores Mario Cesar (PMDB), José Airton Saraiva (DEM) e Flávio César (PSDB), por corrupção ativa.

Por corrupção passiva, já que aceitaram vantagens para cassar o pepista Alcides Bernal, foram denunciados Edil Albuquerque (PTB), Carlos Augusto Borges – o Carlão (PSB), Edson Shimabukuro (PTB), Eduardo Romero (Rede), Gilmar Nery de Souza (PRB), Jamal Salém (PR), João Rocha (PSDB), Otávio Trad (PTB), Paulo Siufi (PMDB) e Chocolate (PTB).

"Subiram de cargo"

Dos 29 eleitos em 2012, quatro alçaram voos maiores na política, como o Zeca do PT, que se elegeu deputado federal em 2014. Já a candidata à prefeita da Capital, Rose Modesto, deixou a vereança no mesmo ano e foi eleita vice-governadora na chapa de Reinaldo Azambuja.  Elizeu Dionízio (PSDB) era suplente do deputado federal Márcio Monteiro e assumiu o mandato em Brasília. Grazielle Machado foi eleita deputada estadual em 2014 pelo PR.

Futuro

Num total de 29 membros, 24 querem continuar sendo vereadores. Destes, 11 foram denunciados à Justiça no âmbito da Operação Coffee Break.  

Atualmente ocupam a Câmara Municipal de Campo Grande os vereadores Paulo Siufi  (PMDB); Edil Albuquerque (PTB);   Dr Jamal (PR) , Flávio Cesar (PSDB); Carlão (PSB), - Airton Saraiva (DEM),  Gilmar da Cruz (PRB); Carla Stephanini (PMDB);  João Rocha (presidente - PSDB);  Mário Cesar (PMDB) - Vanderlei Cabeludo (PMDB)  - Chiquinho Teles (PSD)  - Eduardo Romero (REDE), Luiza Ribeiro (PPS);  Coringa (PSD) - Airton Araujo (PT) - Marcos Alex (PT); Edson Shimabukuro (PTB) - Cazuza (PP); Jarbas Chocolate (PTB); Dr Livio (PSDB); Magali Picarelli (PSDB), José Chadid (PSDB); Herculano Borges (SD), Dr Cury (SD); Otávio Trad (PTB); Roberto Durães (PSC); Betinho (PRB) e Francisco Saci (PTB).

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