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Política

Entidades repudiam declarações de Salles sobre 'passar a boiada'

Em nota, Salles afirmou que sempre defendeu 'desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei'

23 maio 2020 - 12h07Por Nathalia Pelzl

A declaração do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) que, em reunião ministerial, declarou que governo deveria aproveitar a "oportunidade" trazida pela pandemia do novo coronavírus para "ir passando a boiada" em medidas regulatórias, tem sido repudiada por entidades e organizações, que emitiram notas contra o posicionamento.

De acordo com Salles, seu ministério é "o mais difícil' de passar "qualquer mudança infralegal" porque 'tudo que a gente faz é pau no Judiciário, no dia seguinte"

Em nota, o Observatório do Clima afirmou que Salles declarou "sua intenção de destruir o meio ao ambiente aproveitando-se de uma catástrofe que parou o Brasil e mata dezenas de milhares de brasileiros". "Um ministro não apenas disposto a desmontar os regramentos da própria pasta, mas conclamando todo o governo a fazer o mesmo e pedindo proteção da AGU", afirma a entidade.

"Esperamos que Ministério Público Federal, STF e Congresso tomem medidas imediatas para o afastamento do ministro Ricardo Salles. Ao tramar dolosamente contra a própria pasta, demonstra agir com desvio de finalidade", disse o Observatório.

Conforme a UOL, a ONG WWF Brasil também repudiou as declarações do ministro e o que chamou de "estratégia de destruição do arcabouço legal de proteção ao meio ambiente". O presidente executivo da organização afirmou ser "inaceitável que um ministro que queria usar a morte de milhares de brasileiros para agir na ilegalidade".

"A fala do Ministro Ricardo Salles expõe sua consciência de que o que está propondo é ilegal, e que portanto se ressente da ameaça que a Justiça pode trazer às suas intenções. Expõe que age contra os interesses nacionais, na surdina, alheio à uma ampla discussão que abarque os anseios da sociedade", afirmou a organização.

Em nota, Salles afirmou que sempre defendeu 'desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei'.

O geógrafo Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, declarou que Salles "criará mais embaraço" para o País nas relações econômicas e políticas ao deixar "explícito o processo de desmanche que ele comanda à frente" da pasta. "Ao contrário do que parecem acreditar os membros do governo Bolsonaro, o período pós-pandemia não será tão tolerante com a destruição ambiental em curso no Brasil", afirmou. "Mas mais do que nunca, Salles tem carimbado na testa o rótulo de 'Exterminador do meio ambiente'. Nada mais justo para quem se aproveita de uma pandemia mortal para destruir a governança ambiental duramente construída no Brasil". O Greenpeace emitiu nota afirmando que Salles "acredita que as pessoas morrendo na fila dos hospitais seja uma boa oportunidade de avançar em seu projeto anti-ambiental".

 "Mas não há espaço para ele 'passar sua boiada'. A sociedade segue atenta, a Justiça Federal julgando seus atos, e os satélites que medem o aumento do desmatamento atestando o resultado de sua política", afirmou a entidade. Com a palavra, o ministro Ricardo Salles "Sempre defendi desburocratizar e simplificar normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei. O emaranhado de regras irracionais atrapalha investimentos, a geração de empregos e, portanto, o desenvolvimento sustentável no Brasil."

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