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Política

Na mira da PF, presos na Lama Asfáltica mandavam dinheiro roubado em MS para o exterior

Trama corrupta praticada na gestão de Puccinelli é cópia de tática usada na Lava-Jato

27 novembro 2018 - 14h09Por Celso Bejarano e Anna Gomes

A 6ª fase da Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (27), em Mato Grosso do Sul, evidenciou uma singularidade: envolvidos em esquema de corrupção que ia de lavagem de dinheiro a ocultação de bens, na gestão do então governador André Puccinelli, do MDB (2007-2014), eram sabidos quando o assunto tratado era o de como esquivarem-se dos investigadores: eles catavam o dinheiro arrecadado de maneira ilícita e o mandava para bancos fora do país. 

A transação, ilegal, conhecida como dólar-cabo, foi posta em prática pelos implicados na Lava-Jato, maior operação policial que se tem notícia no Brasil que ainda investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro desde 2014. A semelhança é tanta que a Lama Asfáltica tem sido chamada pelas autoridades que agem na questão como a Lava-Jato pantaneira.

“Após as antigas fases da operação [foram seis de julho de 2015 para cá], o grupo passou a compensar recursos que não eram realizados por bancos autorizados e sim pelo mercado negro para não deixar nada registrado e, assim, ocultar o dinheiro’’, disse em coletiva de imprensa, nesta manhã, no prédio da superintendência da PF, em Campo Grande, o delegado Cléo Mazzotti.

A expressão dólar-cabo é parecida com o chamado dólar paralelo, e o que diferencia é que o valor pode ser transferido eletronicamente para uma conta corrente no exterior, ou de uma conta corrente do exterior. Ou seja, nessa operação não há a necessidade do manuseio do dólar papel.

CIFRAS

Ainda nesta 6ª fase foram bloqueados R$ 22 milhões nas contas bancárias investigadas, somando quase R$ 30 milhões que estavam sendo movimentados pelo esquema criminoso.

“O montante era colocado em contas de laranjas e também enviado para o exterior. As empresas de informática forneciam notas fiscais de serviços que eram prestados para transformar em lavagem de dinheiro e chegar até as autoridades de MS implicadas no caso. A outra fase [Lama Asfáltica] mostrava o desvio de recursos públicos, já nesta, mostra como os investigados fizeram para esconder todo esquema”, afirmou o delegado.

Um dos envolvidos na trama que teria recorrido ao dólar-cabo, diz a PF, é o empresário do setor da informática, contumaz fornecedor do governo estadual, João Baird, um dos quatro presos na operação desta terça-feira.

A PF, CGU (Controladoria Geral da União), Receita Federal e o MPF (Ministério Público Federal) descobriram que um funcionário de Baird, o trabalhador rural Romilton Rodrigues de Oliveira, além de ter nome seu como dono de fazenda, tinha conta no Paraguai com saldo de ao menos R$ 4 milhões.

Com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, Romilton, que seria laranja de Baird, não foi capturado pela PF, nesta manhã. O ex-secretário-adjunto de Fazenda, André Cance, se entregou na hora do almoço. Antônio Celso Cortez, outro empresário da área de informática, prestador de serviço do governo estadual, também foi encarcerado na 6ª fase da Lama Asfáltica.

Da 1ª até a 6ª fase da Lama Asfáltica, os investigadores descobriram que os participantes do esquema de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e corrupção de servidores, desviaram uma quantia superior a meio bilhão de reais, soma que saiu do bolso do contribuinte.

CHEFÃO

Para a PF, André Puccinelli seria o chefe do esquema. Ele foi detido em julho passado junto com o filho André, advogado, professor da UFMS (Universidade Federal de MS).

Também estão encarcerados desde maio passado por participarem dos crimes dois ex-deputados – Edson Giroto (federal) e Beto Mariano (estadual) – o empreiteiro que mais vencia licitações no período de Puccinelli, João Alberto Amorim e ainda Flávio Henrique Garcia Scrocchio, cunhado de Giroto.