Em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, o governo dos Estados Unidos garantiu que respeitará a escolha da população brasileira em ''eleições livres e justas''. Em posicionamento enviado ao Metrópoles, um alto funcionário do Departamento de Estado disse que os EUA ''respeitam o povo brasileiro'' e ''qualquer governo que ele escolha livremente''.
O posicionamento ocorre duas semanas após Itamaraty barrar o visto de três oficiais norte-americanos que pretendiam fazer uma missão no Brasil para questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Ao Metrópoles, o Departamento de Estado endureceu as críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sinalizou que não pretende romper a relação com o Brasil.
''(O rompimento das relações) não é a situação que nos interessa. Atribuímos grande importância às relações com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil; e temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles'', afirmou o funcionário.
Escolha de embaixador
A declaração ocorre em um momento de forte pressão de Washington sobre Brasília, com disputas comerciais, divergências políticas e episódios envolvendo diplomatas dos dois países.
O governo de Donald Trump revogou, na terça-feira (4/8), o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Segundo o Departamento de Estado, a medida foi tomada em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément a Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a representação americana em Brasília.
Nesta sexta-feira, o Senado dos EUA aprovou a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana em Brasília. Agora, cabe ao governo Lula aceitar o nome do embaixador — o que não deve ocorrer antes das eleições, segundo fontes do Planalto.
O procedimento, conhecido como agrément, é o consentimento dado pelo país que receberá um embaixador antes que ele seja oficialmente nomeado para a missão.
Pressão e tentativa de preservar relação
Na manifestação enviada ao Metrópoles, o Departamento de Estado adotou dois tons. De um lado, pressionou o governo brasileiro pela demora em analisar a indicação de Perez e citou episódios recentes envolvendo diplomatas americanos. De outro, afirmou que a deterioração da relação não é o cenário desejado por Washington e ressaltou a importância estratégica do Brasil.
O funcionário afirmou que os dois países mantêm “investimentos excelentes”, relações comerciais e vínculos culturais, além de destacar que Washington está há algum tempo sem um embaixador em Brasília.
''Essa é uma das relações mais importantes que mantemos na região'', declarou.
Ao defender o respeito ao resultado das urnas, o Departamento de Estado também procurou destacar que os Estados Unidos já mantiveram relações com governos brasileiros de diferentes orientações políticas.
''Temos respeitado e lidado com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, mantendo relações muito bem-sucedidas com eles'', afirmou o alto funcionário.
A declaração funciona como uma tentativa de separar a atual crise diplomática da relação de longo prazo entre os dois países. Apesar das críticas ao governo Lula, Washington afirma que considera estratégica a parceria com o Brasil e diz não ter interesse em ampliar o conflito.







