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Política

Família ou traição? Quanto custará ao MDB o individualismo de Simone Tebet?

Simone alegou que questões familiares a fizeram desistir, mas a decisão é vista como traição dentro do partido

13 agosto 2018 - 09h00Por Vinícius Squinelo

A senadora Simone Tebet (MDB) comoveu e animou a militância do MDB e simpatizantes de André Puccinelli ao anunciar que, a pedido dele, e pensando no partido, seria candidata ao Governo do Estado. Porém, bastou poucos dias para a senadora arregar e anunciar que não será candidata.

As decisões de Simone, tanto do anúncio, quanto da desistência, pegaram todos de surpresa. A atitude de grandeza da senadora, que parecia pensar no partido, voltou a dar lugar ao individualismo, de quem prefere continuar sentada nos bancos do Senado por quatro anos.

Simone alegou que questões familiares a fizeram desistir, mas a decisão é vista como traição dentro do partido. Defensores de Puccinelli entendem que ela não deu ao ex-governador o tratamento que sempre recebeu.

Puccinelli poderia estar em uma situação um pouco melhor se, em 2014, tivesse concorrido ao Senado. Todavia, ele abriu mão de uma candidatura certa para atender a vontade de Simone, deixando-a como candidata ao Senado. Hoje, Puccineli está preso, mas Simone não se desprendeu de suas vontades.

A ex-vice-governadora não detalhou de quem partiu o pedido de desistência, mas todos sabem que o marido dela, Eduardo Rocha (MDB), que tenta reeleição como deputado, era um dos maiores defensores de uma aliança com Reinaldo Azambuja (PSDB). Ele foi derrotado por Puccinelli, que bateu no peito e disse que seria o candidato.

Com Puccinelli fora do circuito, a parcela de deputados que já defendia Azambuja voltou a se animar e não foi difícil convencer Simone a desistir.  Sem o compromisso de candidatura, Simone pode ajudar o marido a conquistar a reeleição, o que não faria se fosse candidata.

A decisão da senadora garante conforto a ela e a família, mas deixa uma marca na sua imagem com o partido. Sem candidato forte, o MDB corre o risco de sofrer a mesma derrota de 2016 em Campo Grande, quando não lançou candidato a prefeito e conseguiu, com muito sofrimento, eleger apenas dois vereadores, saindo de maior partido, para um dos menores na Câmara.

Não satisfeita em abandonar o partido, Simone ainda anunciou sua preferência pelo nome de Sérgio Harfouche, o que irritou ainda mais uma parte das lideranças, que não aceitam candidato de outra sigla.