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Política

Impeachment: deputados de MS fizeram campanha com verba de investigada na Lava Jato

18 março 2016 - 09h23Por Airton Raes

A empresa JBS, denunciada na Operação Lava Jato, doou dinheiro para as campanhas eleitorais dos deputados federais de Mato Grosso do Sul Carlos Marun (PMDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM). Ambos foram indicados pelos partidos para compor Comissão da Câmara Federal, que vai analisar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

A empresa JBS é citada na operação Lava Jato e acusada pelo Ministério Público Federal de realizar empréstimos ilegais. De acordo com informações da campanha eleitoral de 2014, divulgadas pelo TSE (Supremo Tribunal Eleitoral), o deputado Carlos Marun recebeu R$ 100 mil da JBS. O dinheiro foi repassado ao parlamentar pela campanha do candidato ao Governo do Estado, Nelson Trad Filho (PTB) e da campanha da senadora Simone Tebet (PMDB).

Já o deputado federal Luiz Henrique Mandetta recebeu um total de R$ 25 mil em doações do JBS, repassados pelo comitê eleitoral.

Lava Jato e CPI do BNDES

A Lava Jato tem buscado esquemas de corrupção e propina envolvendo a Petrobras e outros órgãos do Governo Federal criados para beneficiar políticos e corporativas privadas. A operação também se voltou ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e pode chegar até às portas da JBS. De acordo com as informações do InfoMoney, no final de 2015 as ações da empresa já começaram a cair com o anúncio de que a operação investigaria o banco. A JBS e suas marcar têm grande representação junto ao BNDES.

Já a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do BNDES, instalada na Câmara dos Deputados em agosto de 2015, que encerrou os trabalhos no último dia 25, também fez com que as ações da corporativa caíssem na Bolsa. Conforme o Infomoney, no dia 23 a JBS perdeu em ações de investidores estrangeiros por conta da CPI. O relatório final ainda não foi divulgado.

O TCU (Tribunal de Contas da União), afirmou em auditoria realizada no final de 2015, que a JBS foi favorecida em empréstimos junto ao BNDES. De acordo com o jornal Globo e a revista Exame, apenas uma das operações realizadas em 2008 junto a JBS renderam um prejuízo de R$ 614 milhões ao banco. Apesar de ainda não serem conclusivas, as investigações do TCU, a pedido da CPI da Câmara, indicam que há indícios de danos ao BNDES, além de não ter encontrado elementos que possam afirmar o benefício dos empréstimos para a sociedade ou para o Brasil como um todo. A corte avaliou a aquisição das empresas norte-americanas Swift Foods & Co.; Smithfield Beef e National Beef; e Pilgrins Pride. 

Mais acusações

Segundo documento do Ministério Público Federal, divulgado em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, em 2011 os investigados fizeram concessões de empréstimo ilegais, as “troca de chumbo”, que infringem as Leis 4.595/64 (artigo 34) e 7.492/86 (artigo 17). A prática envolveu uma quantia de R$ 80 milhões. Entre os réus estão o presidente do Conselho da JBS, Joesley Mendonça Batista, e João Heraldo dos Santos Lima, do Banco Rural.

A acusação do MPF explica que o Grupo JBS é composto por 35 empresas, entre elas o Banco Original do Agronegócio, a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza. A J&F Participações é a empresa controladora das outras duas. Já o Banco Rural tinha como controladora, à época, a empresa Trapézio S.A.

Segundo as investigações, em 22 de dezembro de 2011, a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza obtiveram R$ 80 milhões em empréstimos do Banco Rural, um dia depois de abrirem contas correntes na instituição. A quantia total de R$ 79,3 milhões, com descontos, foi imediatamente transferida para as contas da J&F e da Flora no Banco Original, que também faz parte do Grupo JBS.

Quatro dias depois, de acordo com o MPF, a empresa Trapézio S.A., controladora do Banco Rural, recebeu empréstimo no mesmo valor, R$ 80 milhões, ao firmar contrato com o Banco Original, que foi responsável por emitir a nova operação de crédito. Após os abatimentos legais, o valor de R$ 79,2 milhões foi transferido para a conta da Trapézio no Banco Simples, outro componente do Conglomerado Financeiro Rural.

“A maliciosa arquitetura das operações foi planejada e posta em execução em duas frentes. Pela J&F e Banco Original, atuaram Joesley e Antônio, respectivamente presidente e diretor financeiro da J&F e Emerson e José Eduardo, respectivamente presidente e vice-presidente do Banco Original. Pela Trapézio e Banco Rural atuaram Kátia, presidente da Trapézio e acionista do Banco Rural; Plauto, vice-presidente da Trapézio e administrador da Tratex Construções e Participações S.A., João Heraldo, presidente do Banco Rural; Vinícius, vice-presidente do Banco Rural e Wanmir, diretor financeiro do Banco Rural”, explica o documento, assinado pelo procurador da república Sílvio Luís Martins de Oliveira.

São réus os presidentes do Conselho do JBS, Joesley Mendonça Batista, e João Heraldo dos Santos Lima, do Banco Rural, o diretor financeiro da J&F, Antonio José Barbosa Guimarães, o presidente do Banco Original, Emerson Fernandes Loureiro, seu vice, José Eduardo Tobaldini Jardim, a presidente da Trapézio S.A., Kátia Rabello, seu vice, Plauto Gouveia, o vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane, e o diretor financeiro da instituição, Wanmir Almeida Costa.