Morador de 34 anos denuncia o que classifica como discurso de ódio publicado por um guarda civil metropolitano no Jardim Bonança, em Campo Grande. O homem é criticado por deboches e ironias contra gordos, petistas e travestis no grupo de moradores no WhatsApp.
O denunciante diz que, há tempos, a postura do guarda é inadequada e exibiu prints para comprovar o que considera atos de desrespeito.
''Ficou pior por conta da eleição'', lamentou o reclamante, que teme represálias.

Print extraído de grupo de moradores do Bonança (Foto: Reprodução WhatsApp)
Um dos prints mostrados ao TopMídiaNews é da deputada federal Erika Hilton (PSOL), durante um ato da campanha do segundo turno de Lula. O guarda comentou sobre uma saliência na saia da parlamentar, sugerindo que pudesse ser o pênis dela, que é assumidamente uma mulher trans.
''Olha o tamanho da matula dela... traveco querendo ser mulher. Nunca será'', disse o servidor público, que, na legenda da foto, escreveu: ''Encontre o erro''.
O autor da denúncia destaca que diversas pessoas concordam e riem das postagens, mas é sempre o guarda quem inicia esse tipo de discussão.
O autor das mensagens consideradas ofensivas, além de ser servidor da segurança pública, faz rondas no bairro. Isso, segundo o denunciante, intimida a vizinhança. Ele enfatiza que algumas pessoas já reclamaram - dentro do grupo - que esse tipo de conteúdo incomoda, mas os apontamentos não teriam adiantado.

Denunciante diz que autor de posts foi avisado sobre incômodo (Foto: Reprodução WhatsApp)
Em outra postagem, o servidor da segurança pública participa de uma conversa que sugere que intelectuais ligados à esquerda manipulam e doutrinam crianças e adolescentes nas escolas e universidades.
''Voltam cabeludos, gays, fumando maconha... cheios de piercings etc". Uma moradora acrescenta: ''E chamando os pais de fascistas''.
A reportagem entrou em contato com o autor das postagens. Ele disse poucas palavras ao ser questionado se o discurso era de ódio.
''Ódio se eu falasse em matar, bater ou coisa do tipo e isso eu não fiz'', respondeu, mas logo acrescentou: ''E outra, não tenho que falar nada. Manda a pessoa me processar, é simples'', disparou.
Minutos depois, tornou a responder e insistia em saber do site se Erika Hilton é realmente mulher. ''Perguntei se ela é mulher, vagina , útero, menstruação... etc'', questionou o servidor público.
Entramos em contato também com a Prefeitura de Campo Grande para saber se esse tipo de conduta pode acarretar em um processo administrativo e quais podem ser as providências, caso os apontamento sejam comprovados. O espaço está aberto.







