Mato Grosso do Sul registrou queda de 15,9% no número de roubos em 2025, segundo dados da segurança pública estadual. Foram 2.631 ocorrências, contra 3.130 no ano anterior. Ao mesmo tempo, os furtos tiveram redução de apenas 1,6% e os feminicídios cresceram, segundo o levantamento apresentado pelo governo.
A redução dos roubos ocorreu em diferentes modalidades. Os casos contra estabelecimentos comerciais caíram 21,3%, enquanto os roubos em vias urbanas tiveram redução de 17,4%. Também houve queda nos roubos de veículos, de 11,5%, e em residências, de 8,9%.
Já os furtos passaram de 33.265 ocorrências em 2024 para 32.739 em 2025. A diferença foi de 526 registros.
A queda dos roubos ocorreu junto com a redução dos homicídios. De acordo com o Atlas da Violência 2026, Mato Grosso do Sul teve estimativa de 566 homicídios em 2024, contra 602 no ano anterior, uma redução de 6%. A taxa ficou próxima de 20 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 23,4.
Segundo a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), entre as medidas adotadas estão a ampliação do policiamento em Campo Grande, o fortalecimento do Batalhão Rural, operações integradas na região de fronteira, formação de novos policiais, renovação da frota e uso de videomonitoramento e análise de dados.
Para o secretário-executivo da Sejusp, coronel Wagner Ferreira da Silva, a diferença entre roubos, furtos e homicídios exige estratégias específicas.
“Esses crimes exigem estratégias diferentes porque possuem motivações, dinâmicas e ambientes operacionais completamente distintos. São fenômenos sociais totalmente distintos”, afirmou.
Furtos ainda são desafio
Apesar da queda, os furtos continuam entre os principais desafios da segurança pública no Estado.
Celulares, fios, cabos, máquinas e objetos deixados em veículos e residências estão entre os bens frequentemente levados nesse tipo de crime. Como muitas ocorrências acontecem sem contato direto entre vítima e criminoso, a estratégia de combate depende também de investigação e análise dos locais onde os casos se concentram.
Outro fator apontado pelas autoridades é a receptação dos produtos furtados.
A Sejusp criou um Observatório de Segurança Pública para analisar os dados produzidos pelas forças policiais. A proposta é cruzar as estatísticas com informações sobre os territórios e a atuação das equipes.
Feminicídios
A redução dos roubos e homicídios não foi acompanhada pelo mesmo resultado nos feminicídios. Segundo o governo, a violência contra a mulher exige ações que vão além do patrulhamento, já que parte dos casos ocorre dentro de relações domésticas e familiares.
Entre as medidas previstas estão o acompanhamento de medidas protetivas e a integração entre segurança pública, saúde, assistência social, Ministério Público e Justiça.
O Plano Estadual de Segurança Pública estabelece como meta reduzir a taxa de feminicídios para 2,32 vítimas por 100 mil mulheres até 2030.
Metas até 2030
O Estado também estabeleceu metas para outros indicadores de segurança. Entre elas estão a redução da taxa de homicídios para 15,95 por 100 mil habitantes e das mortes no trânsito para 8,9 por 100 mil.
O planejamento prevê ainda ações relacionadas a inteligência, tecnologia, formação e valorização dos profissionais de segurança.
Em abril de 2026, a Sejusp criou um comitê executivo para acompanhar os projetos e as metas estabelecidas no Contrato de Objetivos firmado com os órgãos vinculados à secretaria.
A estratégia prevê acompanhamento periódico dos indicadores para verificar quais medidas apresentam resultados e quais áreas ainda precisam de intervenção.
Com a redução dos roubos e homicídios, os dados mostram avanço nesses indicadores. Ao mesmo tempo, a pequena queda nos furtos e o aumento dos feminicídios mantêm desafios para a segurança pública de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.








