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Para evitar implosão do PMDB, André é candidato ao Senado

Salvador da Pátria

7 MAR 2014
Dirceu Martins
15h10min
O governador André Puccinelli terá que repensar aposentadoria. (Foto: Reprodução/Internet)

O governador André Puccinelli sofre pressão de todos os filiados do PMDB para que assuma sua pré-candidatura ao Senado, única forma de o partido manter alguma força política no Estado, e jogam a favor as pesquisas que apontam larga margem de vitória ao governador, caso as eleições fossem realizadas hoje. Os peemedebistas temem que a provável derrota do ex-prefeito e atual secretário de governo, Nelsinho Trad, tenha um efeito cascata que prejudique, também, as eleições legislativas.

Quando evitou o confronto direto com Zeca do PT nas eleições de 2002, o PMDB não corria riscos pois mantinha o poder (nas mãos do próprio André) na Capital e ocupava outras importantes prefeituras e bom número de vereadores. Mas com o partido na iminência de implodir - perdeu a prefeitura da Capital numa derrota fragorosa - apenas uma candidatura bem sucedida de André Puccinelli pode dar a sustentação necessária para que mantenha sua hegemonia. Nelsinho não tem apoio maciço dos filiados e a vice-governadora Simone Tebet não expande seu brilho além de Três Lagoas.

Pessoas mais próximas do governador tem como certa sua decisão pela disputa e chegam a citar outros motivos para isso, como os que envolvem a recente conversa entre o governador,  o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff. Durante a reunião teriam sido traçados planos para as eleições em Mato Grosso do Sul, e acertado que André apoiaria, mesmo que indiretamente, o candidato petista, senador Delcídio do Amaral, recebendo em troca uma cota para indicar seus mais diretos colaboradores a cargos federais.

Falta de lideranças

 

Em recente evento do programa "Uma Casa por Hora", o governador descartou sua candidatura ao Senado e disse que acredita que a renovação política é necessária e que prefere permanecer na política como um conselheiro. Mas a falta de novas lideranças em condições de manter o PMDB como principal foco da política no Estado, ou de conquistar o senado e o governo estadual, fizeram com que os apelos do seu grupo de comando, dirigentes e filiados do partido o convencessem a enfrentar a disputa.

Ainda durante aquele evento, André lembrou que "Nelsinho sofreu a desconfiança de sua inexperiência administrativa quando se lançou candidato e, ainda hoje comentam que ele não teria o conhecimento necessário para administrar o Estado, no entanto 'ele teve e terá um professor a lhe acompanhar e estará bem amparado nas eleições 2014', deixando claro que o ex-prefeito não fez a prefeitura caminhar por suas pernas, e que necessita de quem o oriente administrativamente.

Arquitetura

A arquitetura política montada a partir da governadoria desenha como quadro mais provável a candidatura André Puccinelli para o Senado e Nelson Trad Filho candidato ao governo do Estado. Simone Tebet assumiria o governo, o que lhe daria visibilidade e sustentação política nas demais regiões do Estado e permitiria a reeleição de Jerson Domingos a Assembleia, enquanto aguarda sua indicação para o Tribunal de Contas do Estado.

Dessa forma, até que desponte uma nova liderança que tenha a empatia que falta a Edson Giroto, esse grupo estaria unido em cargos federais, e a maioria que pretende ter na Assembleia com o lançamento de nomes fortes e que fizeram parte de seu secretariado, Tereza Cristina e Coronel David são exemplos, além do retorno do bem votado Carlos Marun e deputados da bancada atual, colocarão tantos entraves quantos necessários para que a eventual gestão Delcídio não vá além do possível.

Quanto à determinação do PSDB em se recolocar como força política, a dobradinha extra-oficial composta por André/Delcídio, cortaria as asas dos tucanos, que é ave de voo curto. A vitória de Reinaldo Azambuja seria improvável tanto para o senado quanto para o governo. E deve perder cadeiras na Assembleia, caso o deputado Márcio Monteiro concorra à Câmara Federal e Rinaldo Modesto se afaste a partir de abril com o retorno do titular Carlos Marun (PMDB), o que dificultaria sua eleição para a próxima legislatura.

André Puccinelli pode buscar despistes para evitar o desgaste que provoca uma candidatura lançada antecipadamente, mas deve seguir o que o seu secretaria e amigo pessoal, Carlos Marun, vem enfatizando: “O governador tem o direito de não querer ser candidato e dar uma parada na vida política, mas nós também temos o direito de pressioná-lo e tentar convencê-lo até o último dia”.


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