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Marun ainda tenta salvar Eduardo Cunha, mas bancada de MS aposta em cassação

Aliados devem tentar fatiar cassação; oposição afirma que deputados favoráveis temem cair junto

12 SET 2016
Rodson Willyams
13h17min
Foto: J.Batista/Câmara dos Deputados

Ferrenho defensor de Eduardo Cunha, o deputado federal, Carlos Marun, do PMDB, publicou um artigo no Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (12), intitulado 'das coisas que sei e não sei', a qual fala sobre Eduardo Cunha. O peemedebista defende que o julgamento seja justo para o ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Para Marun, a liderança de Cunha foi imprescindível para que o governo da ex-presidente Dilma Rousseff fosse 'posto' e que o país agora, 'vive uma esperança'. O mesmo ainda afirma que não há, no processo, elementos suficientes que possam cassar Cunha. Mesmo assim, no entanto, ele tira o corpo fora e afirma que 'não o coloca a mão no fogo porque não conhece a tempo suficiente'. 

"Assim se chegou a um acordão, Eduardo Cunha seria transformado, perante a opinião pública, no chefe do petrolão, o 'boi de piranha' que deveria ser lançado ao rio para que o restante da boiada seguisse o seu caminho rumo à riqueza, ao poder, à paz e à tranquilidade", escreveu. 

Por outro lado, há parlamentares que integram a bancada federal de Mato Grosso do Sul e que dão como certo a cassação de Eduardo Cunha. Um deles é o deputado estadual Zeca do PT. "Vou acompanhar a bancada do meu partido. Já estou aqui em Brasília para fazer isso. Sei que há denúncias que ele teria ameaçado em torno de 150 a 200 deputados, inclusive gente daí do Estado. Mas vejo que ele será cassado hoje", afirmou. 

Outro que está confiante é o deputado federal Dagoberto Nogueira, do PDT. "Defendo a cassação dele, ele é um bandido. Mesmo assim, ele terá uma dupla defesa, dois farão a defesa dele contra um de acusação. Mas, na minha opinião e pelo que senti hoje aqui, ele cometeu um erro grave. Ele disse que se ele cair, vai cair junto dois ministros, três senadores e 150 deputados. Se isso for verdade, demonstra que há mais pessoas em conluio com ele. Então, não sei se esses parlamentares irão ficar fechar com ele". 

Nogueira ainda afirmou que a população deverá ficar atenta a quem se demonstrar contra a cassação dele. "Temos que ficar atentos, porque quem fechar com ele, vai saber que essa pessoa poderá fazer parte dos 150 deputados mencionados por ele. Eu vejo que o Conselho de Ética tem que ficar atento e apurar. Logo mais, às 13 horas, deve haver um debate e os discursos. Mas somente às 19 horas, e que vamos analisar o caso". 

O parlamentar ainda afirmou que o fato de Eduardo Cunha estar presente na sessão de julgamento seria para intimidar aqueles parlamentares que supostamente, estaria com ele. "Não tenho dúvida que possa ser isso. Mas somente aí, poderemos ver quem são esses 150 parlamentares que estão com ele", ressaltou. 

Geraldo Resende, do PSDB, deputado federal e que também disputa a prefeitura de Dourados, revelou que já está em Brasília (DF) e que deve seguir a determinação do seu partido. "Já foi divulgado o meu voto. Vou sim cumprir e acompanhar o parecer do relator deste processo que aponta a substancial cassação do Eduardo Cunha". O tucano revelou que não acredita que deve haver algum tipo de acordo e que a situação de Eduardo Cunha deve ser irreversível na Câmara dos Deputados. 

Rito na Câmara dos Deputados 
De acordo com o relator do processo contra Cunha, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), quando o caso começou a tramitar no Conselho de Ética há mais de 11 meses, o deputado já admitiu que será uma votação tensa, constrangedora, mas “necessária”.

Na abertura da sessão, antes mesmo do tempo destinado a Marcos Rogério, que terá 25 minutos para defender seu parecer, já aprovado pelo Conselho de Ética, em junho, por 11 votos a 9, os deputados poderão apresentar questões de ordem. 

A expectativa é que os mais próximos de Eduardo Cunha tentem defender um fatiamento da votação nos moldes do que ocorreu no Senado, durante o impeachment de Dilma Rousseff, para que seja decidida, separadamente, a perda do mandato e a perda de direitos políticos. “O fatiamento não tem amparo legal. A Câmara não tem que adotar um precedente desta natureza”, afirmou, ao classificar a medida adotada pelos senadores como uma agressão à Constituição.

Os advogados de Cunha terão o mesmo tempo - 25 minutos – para rebater os argumentos de Rogério. O próprio Eduardo Cunha já confirmou que estará pessoalmente na sessão e também poderá se manifestar, reforçando, em 25 minutos, sua defesa.

Mas para o relator do caso, a maioria dos deputados já tem opinião formada sobre o caso e não deve haver surpresas na sessão. Algumas bancadas marcaram reunião para o início da tarde, como o DEM que se reunirá às 15h para definir se fecharão ou não questão, obrigando todos da legenda a seguir um voto. PSDB, PMDB e PR decidiram não fechar questão.

Durante a elaboração do relatório, no texto, o parlamentar afirma que Cunha é o dono de pelo menos quatro contas na Suíça - Köpek; Triumph SP, Orion SP e Netherton - e classificou as contas como “verdadeiros laranjas de luxo”.

A votação é nominal e o posicionamento de cada deputado será anunciado abertamente pelo painel eletrônico. São necessários 257 votos – equivalentes à maioria simples dos 513 deputados – para que Cunha perca o mandato como parlamentar.

No entanto, a expectativa é que pelo menos 400 marquem presença, além disso, os parlamentares foram convocados e aqueles que deixarem de ir poderão ter o dia de hoje descontado no salário. 

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