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PF quer investigar ministro do Trabalho por gasto 'fantasma'

Corrupção

3 MAR 2014
Dirceu Martins
10h50min
Ministro do Trabalho, Manoel Dias

Partindo das revelações de um ex-dirigente do PDT, John Sievers, ex-presidente da Juventude do partido em Santa Catarina, que assegurou que recebia pagamentos mensais da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Rio Tijucas e Itajaí Mirim, em 2008, a Polícia Federal concluiu inquérito apontando o ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT). As denúncias foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Durante as investigações a Polícia Federal colheu depoimentos de outros filiados que confirmaram haver em recebido salários da ONG, sem que trabalhassem para a organização. O ministro, que tem base político-eleitoral em Santa Catarina, nega as irregularidades e diz não temer um inquérito. "Nunca me envolvi em corrupção", disse.

A Polícia Federal, que não pode intimar Dias, pois ele tem foro privilegiado, pede a remessa dos autos ao Supremo, única instância que pode autorizar investigação criminal de ministros. Manoel Dias é acusado como possível corresponsável pela contratação indevida de empregados à empresa ADRVale, com indícios de malversação de verba federal.

O convênio do Ministério do Trabalho com a ADRVale, executado entre 2007 e 2009, ainda na gestão de Carlos Lupi (PDT-RJ), recebeu R$ 6,9 milhões para realização de cursos de qualificação profissional. Lupi deixou o cargo em 2011, antes de ser afastado pela presidente Dilma Rousseff, após denúncias de que cobrava propinas para liberar o registro de sindicatos e por desvios de recursos do partido.

Cinco ex-dirigentes da ADRVale, hoje inativa, foram indiciados por formação de quadrilha, peculato e dispensa indevida de licitação.

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