A Polícia Federal (PF) tenta reconstruir o caminho percorrido por recursos de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e descobrir se parte do dinheiro público chegou ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro do qual o próprio parlamentar é produtor-executivo e roteirista.
Esse é um dos principais pontos da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10/9), com 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias e a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora do longa, estão entre os alvos.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Durante a ação, a PF chegou a apreender sete armas e o celular de Mario Frias.
Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade comandada por Karina. Uma delas, no valor de R$ 1 milhão, previa a execução de um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo que não teria sido realizado.
Em outra oportunidade, o deputado negou que os recursos indicados por ele tenham financiado Dark Horse e classificou as acusações envolvendo suas emendas como falsas e difamatórias.
Subcontratações
Segundo a PF, há indícios de que recursos recebidos por organizações da sociedade civil tenham sido direcionados a empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
A PF também afirma que levantamentos financeiros identificaram movimentações de “centenas de milhões de reais” entre empresas relacionadas ao esquema investigado.
A PF afirma ainda que as supostas tentativas de dissimulação dos desvios teriam continuado até julho deste ano.
A investigação apura, em tese, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.








