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Política

Promotor do Gaeco faz mistério, mas confirma denúncia contra 14 pessoas

04 dezembro 2015 - 15h58Por Vinícius Squinelo e Amanda Amaral

O promotor Marcos Alex Vera, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), confirmou que encerrou a primeira etapa da Operação Coffee Break e apresentou relatório pedindo a denúncia de 14 pessoas. Agora, o documento passa pelas mãos da Procuradoria-Geral de Justiça, que pode optar, ou não, por apresentar o caso para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.


Segundo o promotor, são 245 folhas de relatório, que apontam as provas de um procedimento de 4.800 páginas em 24 volumes, e que ‘concluem de forma clara que houve corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa’ no processo de cassação do prefeito Alcides Bernal, do PP.


Ele não quis revelar nomes, mas adiantou que oito vereadores e um ex-vereador podem ser denunciados por corrupção passiva; outras sete pessoas, entre três vereadores e empresários, podem responder por corrupção ativa; enquanto dois políticos e um empresário por associação criminosa. Destes, cinco respondem por mais de um crime.

Mesmo não falando os nomes, todo o histórico da Coffee Break aponta para os possíveis denunciados, entre eles o empresário João Amorim, sua sócia Elza Amaral, além do prefeito afastado Gilmar Olarte, do PP por liminar.


Também estão na lista quem teve o aparelhos celulares que foram periciados pelo Instituo de Criminalística: os vereadores Edil Afonso Albuquerque (PMDB), José Airton Saraiva (DEM), Waldecy Batista Nunes, o Chocolate (PTB), Gilmar Neri de Souza (PRB), Carlos Augusto Borges (PSB), Edson kiyoshi Shimabukuro (PTB) e Paulo Siufi Neto (PMDB), Jamal Salem (PR) e o ex-presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar, do PMDB.


Além deles, estão no processo o ex-vereador Alceu Bueno e os empresários João Roberto Baird, Fábio Portela e João Amorim e os vereadores Otavio Trad (PTdoB), Eduardo Romero (PTdoB), Flávio César (PTdoB).

A dúvida é, dentre esses nomes, quem escapou da denúncia do Gaeco. “Agora cabe à PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) ver se apresenta a denúncia, arquiva ou pede por mais diligências”, esclareceu o promotor.


Marcos Alex também informou que ainda investiga outras cinco pessoas. Eles não constam no relatório por falta de documentos. “Como do sigilo bancário, que ainda está a caminho”, afirmou Marcos Alex Vera.

Agora, a Procuradoria tem o prazo de 15 dias para analisar o relatório e decidir o andamento do processo, que pode culminar no afastamento de cargos públicos e prisões dos envolvidos.

Vera deu coletiva de imprensa nesta tarde / Foto: André de Abreu


Coffee Break
A Operação Coffee Break é o resultado de duas operações realizadas, a ADNA do próprio Gaeco - que investigou o prefeito afastado Gilmar Olarte, do PP, em 2014, -em que o apontou como principal articulador em esquema estelionatário e investigado por crimes de corrupção passiva, continuidade delitiva e lavagem de dinheiro. O objeto serviu de base para abertura da Comissão Processante na Câmara a qual foi inocentado pelos vereadores.


Já a outro, se trata da Operação Lama Asfáltica deflagrada pela Polícia Federal em julho deste ano, que desmantelou a quadrilha especializada em fraudar licitações de obras públicas. O valor desviado dos cofres públicos chega a R$ 11 milhões podendo chegar até R$ 45 milhões de recursos desviados dos cofres públicos.


Em todas as operações, tanto os promotores quanto os agentes flagraram conversas dos envolvidos sobre obtenção de vantagens, inclusive econômica, e oferecimento de vantagens como cargos na administração de Gilmar Olarte, antes mesmo, que o prefeito atual Alcides Bernal fosse cassado no dia 13 de março de 2014.


Após o cruzamento destes dados, os promotores encontraram irregularidades e o objeto foi alvo de inquérito preparatório para apurar as denúncias batizado de Operação Coffee Break.