A senadora Soraya Thronicke (PSB) publicou um vídeo em que critica o posicionamento de Flávio Bolsonaro (PL) a respeito do fim da escala de trabalho 6x1. Na gravação, a parlamentar apontou oportunismo na mudança de postura sobre o tema.
Segundo Thronicke, o grupo político de Bolsonaro sempre atuou contra o fim da jornada de seis dias trabalhados por um de descanso. Ela declarou que a alteração de opinião ocorreu repentinamente, "nos 45 do segundo tempo", e foi motivada exclusivamente por razões eleitoreiras. "Apenas para enganar você", enfatizou a senadora.
A parlamentar também acusou a existência de um suposto acordo prévio para desfazer a medida. Conforme o relato, tudo estaria ajustado para que o fim da escala seja revogado futuramente. "Você não vai se deixar ser enganado dessa forma, né? Não dá, não dá, não dá. É muita cara de pau", concluiu no vídeo.
Mudança de postura
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (16/10) que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. Durante sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, o parlamentar também justificou a mudança de posição sobre a redução da jornada, aprovada pelo Congresso Nacional nesta semana.
Questionado sobre a intenção de aliados de aprovar uma proposta alternativa, com remuneração e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, Flávio negou que pretenda desfazer a medida.
“Não, não vou. Direitos trabalhistas garantidos”, respondeu.
A declaração se dá dois dias depois de o senador votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O texto foi aprovado no Senado na quarta-feira (14/10), com 75 votos favoráveis e um contrário, e promulgado pelo Congresso nesta sexta-feira.
Flávio havia criticado a proposta e defendido maior liberdade para a negociação da jornada entre trabalhadores e empregadores. Na entrevista, afirmou que mudou de posição por considerar a vontade dos trabalhadores brasileiros.
“Eu resolvi seguir a vontade dos trabalhadores brasileiros”, declarou. O candidato acrescentou que percorreu o país e ouviu pessoas favoráveis à mudança. Apesar disso, voltou a defender regras mais flexíveis para a contratação. “Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar sua própria jornada de trabalho”, disse.
Proposta alternativa do PL
A posição de Flávio contrasta com a articulação de integrantes do próprio partido. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que pretende trabalhar pela aprovação de uma proposta de remuneração por hora em 2027, caso o senador vença a eleição presidencial.
A opção foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio. A iniciativa permitiria ao trabalhador optar por um regime de contratação por hora, com remuneração e direitos como férias e 13º salário calculados proporcionalmente ao período trabalhado.
Já a emenda constitucional promulgada nesta sexta-feira estabelece dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial. A transição prevê uma jornada máxima de 42 horas semanais depois de 60 dias e de 40 horas após mais 12 meses.
Na sabatina, Flávio também afirmou que pretende recuperar o poder de compra dos trabalhadores e combater a insegurança pública.
(Com informações Metrópoles)








