Dias após ser alçada à condição de consultora de Lula para as redes sociais, a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) virou alvo de integrantes da coordenação da campanha do atual presidente da República.
Nos bastidores, caciques petistas demonstraram incômodo com postagens antigas da jovem sobre igrejas e aborto que passaram a ser exploradas por lideranças da direita como forma de atacar Lula na campanha.
O temor é de que o episódio afete diretamente a imagem de Lula, agora associada à de Ana Elisa, e ajude Flávio Bolsonaro (PL) a ampliar ainda mais sua vantagem no segundo turno da eleição presidencial.
A campanha já identificou uma forte reação do eleitorado às mensagens que circulam nas redes. Aliados de Lula disseram que chegaram a pedir que a parlamentar fechasse suas redes sociais, o que de fato aconteceu.
Ana Elisa, entretanto, nega esse pedido. À coluna, ela disse que recebeu uma “enxurrada de ameaças de morte” e que suspendeu suas contas até conseguir encaminhar todas as mensagens à Polícia Federal (PF) para investigação.
''A campanha não pediu, eu sigo atuando na ajuda à campanha do presidente Lula. [Minha rede social] está suspensa até conseguirmos chegar à PF hoje e enviarmos todas as ameaças de morte que recebemos de ontem para hoje'', afirmou a petista, que tem 21 anos de idade e foi a mulher mais votada para deputado federal em Minas.
Evangélicos, igrejas e aborto
Nas postagens divulgadas por deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG), Ana Elisa aborda, de forma agressiva, temas polêmicos dos quais Lula gostaria de manter distância neste momento da campanha.
Em uma das supostas mensagens, por exemplo, a petista diz que Lula deveria fechar igrejas evangélicas. Em outra, defende o aborto após a 22ª semana de gestação e pede para “queimar” a bancada evangélica.
Nos trechos que circulam, Ana Elisa também defende que o ministro do STF Alexandre de Moraes “bloqueie” todas as redes. Há ainda vídeos da petista abordando questões raciais e afirmando que críticas ao Carnaval são racistas.
Para tentar amenizar as postagens da deputada eleita, outros petistas passaram a publicar nas redes sociais mensagens ressaltando que Lula é católico e contra o fechamento de igrejas.
''Para deixar claro: nem eu nem o presidente Lula defendemos que se feche igreja alguma. Tanto eu, tanto Lula somos católicos. Qualquer outra narrativa é mentira da extrema-direita e não corresponde com que o presidente Lula pensa. Foquem em virar votos'', escreveu o vereador Pedro Rousseff (PT-MG), também eleito deputado federal por Minas Gerais em 2026.








