Uma denúncia apresentada na 26ª Reunião Ordinária do Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande escancarou ainda mais o cenário crítico no atendimento odontológico da rede pública e levantou suspeitas sobre a distorção de dados oficiais da prefeitura.
Segundo os conselheiros, dentistas estariam registrando atendimentos que, na prática, não resultam em procedimentos, devido à falta de equipamentos básicos nas unidades de saúde.
De acordo com o relato feito durante a reunião, até cerca de 30 dias atrás, pelo menos 29 compressores odontológicos estavam quebrados em postos de saúde da Capital. O problema teria afetado mais de 70 cirurgiões-dentistas, que ficaram impossibilitados de realizar procedimentos clínicos. O compressor é considerado essencial para o funcionamento do consultório, já que alimenta equipamentos como a caneta de alta rotação e o sugador.
Mesmo sem condições técnicas de atendimento, os profissionais estariam sendo orientados a chamar os pacientes agendados apenas para informar sobre a quebra dos equipamentos, dar orientações ou prescrever medicação. Ainda assim, esse contato estaria sendo lançado no sistema como "atendimento realizado".
"Isso gera número, gera dado, mas não gera assistência", afirmou um dos conselheiros durante a reunião. Segundo ele, a prática cria uma produtividade apenas estatística, já que os relatórios indicam que a fila avançou, enquanto os pacientes voltam para casa com dor e sem solução para o problema odontológico.
Durante o debate, os conselheiros também questionaram dados apresentados pela gestão municipal que indicariam pouca redução no número de atendimentos odontológicos. Para o Conselho, esses números não refletem a realidade das unidades e precisam ser retificados para não "enganar a população".
"O paciente senta na cadeira, conversa com o profissional, recebe uma explicação ou encaminhamento, mas mais de 95% dos procedimentos que poderiam ser feitos não são realizados", relataram os participantes.
O alerta aponta ainda que esses dados inflados estariam sendo utilizados pela prefeitura para justificar o cumprimento de metas no Relatório Anual de Gestão (RAG). Para os conselheiros, a prática mascara o colapso da infraestrutura do serviço odontológico e desvirtua o uso das estatísticas públicas.
"A realidade é que gera procedimento e gera atendimento no papel, mesmo sem nenhuma resolutividade para o paciente, seja por falta de equipamento, insumos ou manutenção", reforçou um dos conselheiros.







