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Saúde

há 3 semanas

Escorpião no app de pegação: entenda quem são os 'carimbadores' de HIV

Pessoas com o vírus do HIV utilizam escorpiões na bio de apps de paquera e se denominam como "carimbadores", infectando pessoas de propósito

Quem utiliza aplicativos de paquera sabe que, muitas vezes, emojis específicos têm significados específicos — principalmente no Grindr, plataforma voltada para o público LGBTQIA+. Contudo, existe um emoji que acende um sinal de alerta: o escorpião. Seu uso nada tem a ver com o signo ou algo parecido, mas sim à referência de que a pessoa é soropositiva e transmite HIV de forma proposital.

Chamados também da “carimbadores” ou “vitaminados”, eles “marcam” outras pessoas com o vírus e veem a prática com olhos fetichistas, tendo como principal mote a liberdade envolvida em fazer sexo sem camisinha e sem preocupações relacionadas a infecções sexualmente transmissíveis. Na comunidade que batizaram de Clube do Carimbo, adeptos trocam informações e instruções de como colocar em prática o fetiche.

Quando feito sem o conhecimento prévio da outra pessoa sobre o vírus, o ato se enquadra na Lei de Lesão Corporal Grave, Artigo 129 do Código Penal. Contudo, existe ainda outra problemática: levando em consideração que o emoji de escorpião pode ser considerado um aviso de que trata-se de um portador de HIV, existem muitas pessoas que optam por fazer sexo sem camisinha com os carimbadores.

Nesse contexto, muitas pessoas se utilizam da situação para praticar o barebacking, que, no maior estilo “roleta-russa”, trata-se da prática de sexo anal sem camisinha, em que ambas as partes têm consciência de que podem pegar uma infecção sexualmente transmissível, ou mesmo o HIV.

O HIV foi o “foco” da prática quando surgiu nos anos 1980. De acordo com o terapeuta sexual André Almeida, estudos associam os avanços do tratamento da Aids como um dos motivos do aumento do movimento. “As pessoas perderam um pouco o medo da exposição”, explica.

Essa adrenalina de se expor ao perigo, o psicólogo aponta, é o principal motivador dos adeptos. Apesar de disfuncional, não chega a ser um distúrbio. “Só é considerado distúrbio se a pessoa só conseguir se excitar com a presença daquele estímulo da adrenalina”, diz.

Liberdade x responsabilidade

É fato que todos têm direito à liberdade sexual, mas André deixa claro: desde que isso não interfira no direito no outro. No caso do barebacking, há consentimento de todas as partes.

“Quando duas pessoas consentem transar sem camisinha sabendo da roleta russa, que alguma delas pode ter HIV ou alguma IST, sabendo dos riscos e os assumindo, é liberdade sexual”, diz.

O grande problema, no fim das contas, é o impacto na saúde pública. Apenas nos primeiros nove meses de 2023, o Ministério da Saúde ultrapassou o valor de R$ 1,7 bilhão em medicamentos para HIV, de acordo com o site oficial da pasta.

Quanto a isso, o terapeuta diz que não resta muito o que fazer. “Não dá para controlar o que as pessoas fazem, mas a gente pode conscientizá-las”, aponta.

Estigma do público LGBTQIA+

Apesar de existir um grande e preconceituoso estigma em cima da comunidade LGBTQIA+ no que diz respeito ao HIV, vale ressaltar que não se pode colocar nas costas desse público a conta total do HIV no Brasil, uma vez que o sexo inseguro acontece todos os dias, nos mais variados contextos — inclusive entre heterossexuais (muitas vezes, há casais em que um dos envolvidos tem encontros conjugais e acaba transmitindo IST’S para a parceria).

“Isso acontece muito no meio hétero, por exemplo. As pessoas não fazem testagem. Depois de um ou dois meses de namoro, simplesmente tiram a camisinha e começam a fazer sexo desprotegido no pretexto de ‘se conhecerem’”, afirma.

Como, no contexto, o “usem sempre camisinha” vai ser um pedido não atendido, o sexólogo faz um apelo para que os adeptos pelo menos diminuam as chances de infecção.

“De repente é interessante tomar uma PrEP, que é o comprimido pré-exposição ao vírus, ou a PEP, que é o comprimido pós. É uma das soluções, mas a melhor delas ainda é a camisinha”, finaliza.

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