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Saúde

há 1 hora

Família denuncia negligência que levou à morte de idosa em Jaraguari: 'Agora eu perdi a minha mãe'

Família passou 14 dias procurando por atendimentos médicos sem diagnóstico adequado

Dilma Gomes Ricaldes, de 87 anos, faleceu no último domingo (18) após uma série de complicações em decorrência de uma queda da própria altura em casa no dia 3 de outubro, em Jaraguari.

De acordo com a filha da vítima, que optou por não se identificar, a idosa teria passado a relatar muitas dores após a queda e foi levada para o Posto de Saúde de Jaraguari. Na data da queda, Dilma foi examinada e realizou um raio-X da perna, mas recebeu alta do médico, uma vez que, segundo o profissional, ela não teria sofrido nenhuma lesão e as dores eram decorrentes do impacto. Segundo a filha, a mãe voltou para casa, mas as dores não diminuíram com a medicação prescrita.

"Naquela noite minha irmã não dormiu com ela gritando de dor. Não podia nem encostar que ela gritava de dor. Quando foi no outro dia, minha irmã levou-a novamente ao posto de saúde à noite. Outra médica atendeu. Examinou minha irmã, apertou, falou que não estava inchado, não estava roxo. Que talvez pudesse ser coisa da cabeça dela, porque ela tinha Alzheimer e mandou para casa novamente com medicação para dor".

Segundo a mulher, após a mãe ser enviada mais uma vez para casa, a sua irmã teria lhe contado da situação. A mulher, que mora em Campo Grande, foi para Jaraguari no mesmo dia e levou a mãe mais uma vez ao posto de saúde. De acordo com as informações passadas, ela pediu para que a equipe médica fizesse ao menos um raio-X do quadril, mas foi informada de que o técnico que realizava o exame não estava no local.

De acordo com a filha, apesar de não ter como fazer o exame no local, a médica que realizou os atendimentos recusou-se a realizar o pedido de encaminhamento da idosa para outra unidade de saúde. Ela alegou que os batimentos cardíacos e a pressão dela estavam bons e que não haveria justificativas para a transferência.

"Me disseram para retornar com ela na segunda-feira, dia 5 de outubro. E outro médico atendeu-a e falou que a situação dela era grave e que ela havia fraturado o fêmur da perna direita, e isso passou despercebido no primeiro raio-X feito no sábado. Ela precisava fazer uma cirurgia e foi encaminhada para a fila de espera por uma vaga, e começamos a implorar ajuda para todos que conhecemos, até que, na quinta-feira [dia 8 de outubro], ela conseguiu uma vaga para um hospital em Costa Rica."

Segundo a filha, no dia 9 de outubro, pela manhã, a vítima foi encaminhada em uma ambulância, porém nenhum profissional da saúde acompanhou a idosa dentro da ambulância, estando a técnica de enfermagem responsável o tempo todo ao lado do motorista.

"Não tinha um aparelho para ver a pressão. Nem uma garrafa de água para ofertar, pelo menos uma água para o paciente, para ver se a aliviava, para acalmá-la, né? Porque ela gritava o tempo inteiro que estava doendo. Com dor. E foi assim no percurso inteiro. Então, eu acho que isso foi uma negligência com ela."

Confira o vídeo gravado pela filha durante a transferência da idosa para Costa Rica.

Em Costa Rica, Dilma passou pela cirurgia da fratura no fêmur e foi internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital, onde permaneceu internada por dois dias e depois foi passada para um leito comum e posteriormente recebeu alta para voltar para casa. Porém, o comportamento da idosa mudou drasticamente, e ela passou a se recusar a comer.

A filha afirma que passou a retornar com a mãe ao posto, na esperança de conseguir que ela recebesse algum tipo de nutrição intravenosa, uma vez que ela não conseguia ingerir nenhum alimento. Vendo a mãe cada dia mais fraca, a filha decidiu levá-la mais uma vez ao Posto de Saúde de Jaraguari, na sexta-feira (16), mas a história se repetiu mais uma vez, e a idosa foi mandada para casa após o médico responsável prescrever um soro e mandá-la para casa na sequência.

"Ela estava com falta de ar. Mas, como eles não têm nenhum aparelho para rodar um eletrocardiograma lá, para verificar realmente o que está acontecendo, eles ficam nessa de dar medicação para dor, mandar para casa, medicação para dor e mandar para casa. Eu consegui falar com o Secretário de Saúde de Bandeirantes e pedi ajuda para ele. A minha mãe foi transferida para atendimento médico em Bandeirantes."

No sábado (17), Dilma foi encaminhada em vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande após os exames realizados em Bandeirantes apresentarem alterações. Na Santa Casa, a família descobriu que a falta de ar e a debilidade da idosa eram decorrentes de um infarto que Dilma havia sofrido e que não foi identificado anteriormente.

Por causa do infarto, o quadro de saúde de Dilma se tornou grave, e exames realizados na Santa Casa de Campo Grande mostraram que a idosa havia sofrido complicações renais. Dilma morreu no domingo após sofrer uma falência renal e não conseguir resistir ao tratamento.

"Agora eu não tenho mais, já perdi a minha mãe, mas queria divulgar para ajudar outras pessoas, sabe? Denunciar para que isso não ocorra mais com nenhuma família. Nós passamos por isso e foi muito doloroso para toda a família, imagine para a minha mãe, que era uma idosa de 87 anos".

A redação entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Jaraguari para cobrar respostas sobre as negligências sofridas pela idosa, além de questionar sobre a presença de técnicos durante o fim de semana. Até a publicação desta matéria, nenhum retorno foi dado. 

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