Trabalhando a vida toda, R. A. P. de 36 anos se deparou com um momento da vida em que continuar realizando as atividades diárias se tornou quase impossível. Há seis anos, a trabalhadora recebeu o laudo de depressão profunda e viu a sua rotina mudar drasticamente.
Sem conseguir realizar as atividades laborais, R. A. P. foi afastada do trabalho e, mesmo com anos de tratamento, a mulher precisa lidar diariamente com o fato de que não há previsão de quando a sua saúde melhorará. A situação, que já seria difícil, piorou quando ela percebeu que, a cada nova consulta na perícia do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), ela enfrentaria desafios diferentes.
Segundo a trabalhadora, depois de algum tempo, virou um costume olhar o relatório médico após as consultas periciais, e foi assim que ela percebeu como algumas informações eram colocadas sem ao menos o seu lado ser ouvido.
"Eu sou afastada há seis anos por depressão grave e transtorno de ansiedade, e eu tenho mania de ficar olhando o relato do que ele escreveu sobre mim na perícia, porque eles acabam conosco. A última vez que eu fui, a mulher colocou micropigmentação nos olhos e na boca, só que a minha micropigmentação já era de seis anos atrás."
Esse caso foi apenas o começo. Em uma nova consulta, em 8 de julho, a mulher passou por uma situação ainda pior. Por fazer o uso de 19 remédios controlados diariamente, R. A. P. realiza as consultas acompanhadas. Em sua última visita, ela estava com uma amiga, mas a surpresa veio quando conferiu o relatório e percebeu que nem ao menos a sua acompanhante estava certa na descrição médica.
"O médico copiou o relatório do ano passado e colou no dele. Ele anexou que a minha irmã tinha entrado junto comigo, mas ela não é minha irmã, é minha amiga. Ele colocou que o meu filho tem 13 anos e o meu filho tem 14. Que a minha irmã tem 31, mas a minha irmã tem 33 anos de idade. Ele disse que estou divorciada há seis anos, mas fazem oito que me divorciei. Eu tive um acidente há três anos, quatro anos e meio. Ele copiou e colou, mas ele não sequer perguntou nada pra mim."
Ao se deparar com os erros, R. A. P. passou a procurar por todas as alternativas para corrigir a situação. A vítima realizou a denúncia formal para a instituição, mas não teve nenhum retorno. Ao procurar a administração, recebeu a mesma resposta duas vezes, em que afirmavam que não poderiam fazer nada a não ser aguardar.
De acordo com a vítima, o último relatório pericial ainda constava que ela está apta a tomar decisões cotidianas, uma vez que soube reconhecer um documento. "A minha amiga foi entregar um exame, e eu confirmei que era aquele mesmo. Por isso ele colocou no relatório que estou apta a tomar decisões, mas é claro, eu tenho depressão e não Alzheimer".
Para R. A. P., é uma falta de respeito e crime que o documento errado continue sendo aceito, mesmo com as provas e testemunhas de que o médico apenas repetiu o laudo anterior. "Se ele, que não toma nada, não consegue fazer o trabalho dele direito, imagine eu, que tomo 19 remédios por dia e fico quase dopada."
Segundo a vítima, ela irá entrar na Justiça para resolver a situação, mas teme que nada seja feito e que o problema permaneça.
A redação entrou em contato com o INSS para falar sobre o caso, mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno.









