A falta de diálogo com a prefeitura de Campo Grande torna "quase inevitável" a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, segundo o presidente da Câmara dos Vereadores, Papy (PSDB).
Segundo o parlamentar, a transparência citada seria através da conversa entre a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e a Comissão de Saúde, apresentando documentos, esclarecendo dúvidas de vereadores e mostrando resultados para população.
“Acho que eles conseguem evitar a CPI por mais tempo. Não tendo nada disso, a questão da CPI é quase inevitável, porque tem muitas assinaturas e isso vai levando para o caminho onde todo mundo fica obrigado a apresentar os dados solicitados”, detalhou.
O fato é que o diálogo entre a Câmara e o município vem sofrendo alguns atritos, apesar do avanço da conversa entre o Executivo e o Legislativo. Além disso, Papy espera uma decisão o quanto antes para não protelar essa pauta até o período de eleições.
Outro fato, que deve auxiliar os parlamentares sobre a abertura ou não da CPI é o novo diagnóstico da saúde em Campo Grande, previsto para sair até o mês de maio.
“Depende do Executivo. Se eles entrarem em uma linha franca de diálogo como foi feito aqui, que o secretário Marcelo Vilela veio, apresentou os dados, foi sincero ao falar que estão tendo dificuldades, não estão conseguindo pagar os fornecedores e estão realizando estratégias para tentar reverter esse quadro, mostra uma luz no fim do túnel para que os parlamentares possam ajudar o município”, finalizou Papy.
Enquanto a torneira do diálogo está sendo aberta com o Legislativo, a prefeitura segue tendo embates com o Conselho Municipal de Saúde. Por conta disso, o MPMS (Ministério Publico de Mato Grosso do Sul) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos da saúde pública em Campo Grande.
De acordo com as informações publicadas no Diário do MPMS, o procedimento tem como alvo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública). O objetivo é verificar a regularidade da gestão e da movimentação dos recursos do Fundo Municipal de Saúde, especialmente após a promulgação da Lei Municipal nº 7.442/2025, que instituiu o Sistema Financeiro de Conta Única.
A apuração ocorre após apontamentos feitos pelo Conselho Municipal de Saúde. Em 2025, o órgão informou que mais de R$ 28 milhões teriam sido desviados do Fundo Municipal de Saúde para atender outras áreas, tanto dentro da própria saúde quanto da administração municipal.








