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Saúde

28/04/2026 13:00

Superlotação, falta de medicamentos e até ratos são parte da rotina na UPA Vila Almeida

Pacientes a espera de vagas enfrentam péssimas condições de infraestrutura na unidade

Pacientes que aguardam transferência para atendimento de saúde especializado em Campo Grande denunciam superlotação, falta de estrutura e escassez de medicamentos na UPA Vila Almeida. No local, há pessoas que estão há mais de uma semana a espera de vaga, sem nenhum indicio de transferência. 

Uma paciente que não quis se identificar, relatou à reportagem que chegou na unidade na noite do dia 19 de abril, após uma forte crise de ansiedade. Acompanhada da filha, inicialmente ela teria buscado atendimento no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), mas foi encaminhada para a UPA por falta de vaga no local. Desde então, ela segue internada aguardando a transferência. "Não é negligência dos médicos nem dos enfermeiros, eles fazem o que podem. O problema é a falta de estrutura e de medicamentos", relatou.

Com a depressão agravada pela crise de ansiedade, a mulher relata que ao chegar na UPA ouviu de uma das enfermeiras que não havia medicamentos para o caso dela. "Ela disse que não podia fazer muita coisa por mim, porque ali não era o CAPS", relatou. 

Segundo a paciente, quando não há vagas no CAPS, é preciso ir para uma UPA, entretanto, como o local não oferece tratamento adequado, se torna apenas uma espaço de espera por vaga. "É apenas um lugar para deitar e dormir, comer um almoço, e algumas medicações, repassadas anteriormente. A maioria das medicações são compradas, porque aqui não tem o suporte. É necessário que os acompanhantes saiam e comprem, mas muitas vezes não conseguem".

A situação se agrava com casos clínicos mais complexos. Uma paciente com problemas no fígado e pedras na vesícula, segundo a denúncia, permanece no local mesmo com fortes dores e sem conseguir transferência, apesar de ter recorrido à Justiça. “Ela estava agonizando e ouviu que havia limite de remédios mais fortes, que a ‘cota’ dela já tinha acabado”, relatou.

Estrutura precária

Além da falta de vagas e medicamentos, os relatos também apontam problemas estruturais. Pacientes de diferentes alas precisam compartilhar um único banheiro com chuveiro elétrico funcionando, o que obriga deslocamentos até a ala 'A', inclusive para pessoas com dificuldade de locomoção.

A alimentação também é motivo de queixa. Segundo os acompanhantes, em alguns momentos a quantidade de refeições é insuficiente, fazendo com que familiares precisem buscar alternativas por conta própria.

Outro ponto crítico é a presença de ratos nas dependências da unidade. De acordo com o relato, durante a noite é possível ver os animais saindo de bueiros e circulando por áreas comuns, o que aumenta o medo e a insegurança de quem está internado.

A estrutura física também apresenta falhas, como aparelhos de ar-condicionado sem funcionamento, portas com vidros improvisados com sacos plásticos e calor intenso nas enfermarias. Pacientes que têm condições levam ventiladores de casa para amenizar a situação; os demais enfrentam altas temperaturas e infestação de pernilongos.

Mesmo com as críticas, a paciente destaca o esforço dos profissionais de saúde. "O que vemos são trabalhadores no limite, tentando fazer o melhor com o pouco que têm. O problema é maior que eles", afirmou.

A principal reclamação, no entanto, continua sendo a demora na regulação de vagas para transferência. "Mesmo entrando na Justiça, as vagas não chegam. Está uma superlotação, bagunça e confusão", resume a denunciante.

A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande e a Secretaria Municipal de Saúde para posicionamento sobre as denúncias e aguarda retorno.

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