A situação da UPA Moreninha, localizada na região sul de Campo Grande, foi classificada como ‘preocupante’ pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS) após uma visita técnica realizada na manhã de sexta-feira (16). O relatório aponta estrutura deteriorada, falta de medicamentos, equipamentos insuficientes e riscos à segurança de pacientes e profissionais.
Segundo o documento, a unidade é antiga e sofre com anos de manutenção precária. Durante a visita, foram encontrados problemas graves, como infiltrações, mofo, paredes e tetos descascados, fiação elétrica exposta e portas e janelas quebradas ou improvisadas. Apesar do esforço das equipes de limpeza, a condição física do prédio dificulta a higienização adequada dos ambientes.
Um dos pontos mais críticos é a falta de climatização. Diversos aparelhos de ar-condicionado não funcionam, inclusive em enfermarias, consultórios e repouso dos servidores. Onde os equipamentos ainda funcionam, há vazamentos constantes, com baldes espalhados pelo chão para conter a água.
O relatório também aponta falta de equipamentos básicos. A unidade possui apenas um monitor multiparamétrico, que funciona parcialmente, e somente dois aparelhos para medir pressão arterial em toda a UPA. Profissionais relataram que, em alguns casos, precisam usar equipamentos próprios para conseguir atender os pacientes.
Outro problema grave é a falta de medicamentos essenciais, como morfina, antibióticos, anticonvulsivantes, anti-inflamatórios e remédios para pressão arterial. A ausência desses medicamentos compromete o atendimento de urgência e emergência e coloca a vida dos pacientes em risco. O Conselho destaca que esse desabastecimento também ocorre em outras UPAs da cidade, indicando um problema generalizado na gestão da saúde municipal.
A fiscalização encontrou ainda escassez de lençóis e materiais de rouparia, presença de baratas em áreas de atendimento, lixeiras sem tampa em ambientes assistenciais e falhas graves no sistema de combate a incêndio, com mangueiras ausentes ou sem condições de uso imediato.
Os profissionais da unidade também relataram falta de segurança, tanto para proteção do patrimônio quanto para a integridade física de trabalhadores, pacientes e acompanhantes.
Diante do cenário, o Conselho Municipal de Saúde concluiu que a situação da UPA Moreninha é grave e não pontual, exigindo ações urgentes da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Entre as recomendações estão reformas estruturais imediatas, reposição de leitos e equipamentos, regularização do fornecimento de medicamentos, melhorias na segurança e apresentação de um plano de ação com prazos definidos.







