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Chinesa, pressão e tira-teima com guia de rival: Terezinha põe reinado à prova

Maior velocista cega da Paralimpíada defende título e recordes dos 100m rasos T11 nesta sexta com novo parceiro, expectativa da torcida e 'culpados' por revés em Doha

9 SET 2016
Globo Esporte
07h31min
Foto: Marcio Rodrigues/CPB/MPIX

A maior velocista cega do mundo será colocada à prova. Atual bicampeã paralímpica dos 200m rasos T11 e campeã dos 100m rasos T11, Terezinha Guilhermina colocará seu reinado em jogo nesta sexta-feira, no Estádio Olímpico. Dona dos recordes paralímpico e mundial dos 100m, a brasileira entra na pista às 11h50 (de Brasília) não somente para disputar a semifinal - a final acontece de noite -, mas também para mostrar que o desempenho ruim no Mundial de Doha, no Qatar, ano passado, foi apenas um deslize na trajetória de quem soma seis medalhas em Jogos Paralímpicos e 12 em Mundiais. No caminho, há obstáculos: a chinesa Cuiqing Liu, a pressão por correr em casa e a concorrência do ex-guia Guilherme Santana.

Terezinha Guilhermina anunciou o fim da parceria de cinco anos em dezembro do ano passado e competirá nas provas de velocidade com Rafael Lazarini. O divórcio com o guia, entretanto, não foi dos mais pacíficos. Apesar da educada carta de adeus no dia do anúncio, a velocista tem relação fria atualmente com Guilherme, que também disputará os 100m T11 guiando Jerusa Santos. Questionada sobre o reencontro, a tricampeã paralímpica foi seca:  

- Ele só vai ser mais um junto com os outros.

A postura tem explicação. Após perder seus três títulos mundiais para Cuiqing Liu, nos 100m, 200m e 400m T11, Terezinha não poupou Guilherme de críticas em entrevista ainda no Qatar. Segundo ela, o guia estava em um nível abaixo ao seu e a prejudicou na competição:

- Desceu um sabor amargo, foi uma surpresa para todo mundo. Eu perdi pelo fato de ser deficiente visual e de não ter conseguido ter a possibilidade de fazer o meu melhor nesse caso. Funcionamos como um time, não dá para trabalhar se o time todo não está bem. Não adianta ter melhor goleiro, se o atacante está machucado, e não adianta ter o melhor atacante, se o goleiro está machucado. Atletismo é um esporte coletivo. Não sou a melhor do mundo sozinha, preciso ter o melhor do mundo ao meu lado para sustentar um título. A relação guia e atleta é como a de um piloto de Fórmula 1 e o seu carro. Você pode ter o melhor carro, mas se você não tem o melhor piloto, você não ganha. Se o piloto está com problemas, está doente, ele não vai correr do mesmo jeito. Eu não preciso de um guia, eu dependo de um dia.

Em baterias diferentes, Terezinha e Guilherme terão que se classificar para final, que acontece na noite desta sexta-feira, para terem o confronto direto que mostrará quem chegou ao Rio em melhores condições. Agora com Jerusa Santos, que acostumou-se a ficar atrás de sua parceria com Terezinha em Londres e em Mundiais, o guia evita maiores polêmicas e, apesar do incômodo evidente, adota tom respeitoso ao falar da ex-companheira.

- Ela teve a opção de trocar de guia no Mundial do ano passado. Acredito que vai ser uma corrida bem bacana, e um dos motivos é que a Jerusa está em evolução. O meu respeito sempre prevalecerá, independentemente dos resultados. Uma pessoa que me ajudou e foi ajudada tem que ter a humildade de aceitar a vitória e a derrota. O tempo passa, e as palavras podem ser mais lembradas que as conquistas. Por isso, tenho o sentimento de gratidão. O amor atrai, o rancor repele.

Nas eliminatórias, Jerusa e Guilherme venceram sua bateria, mas fizeram tempo pior do que Terezinha e Rafael, que ficaram em segundo na eliminatória anterior: 12s19 contra 12s34. Mais do que a disputa particular, porém, será necessário destronar Cuiqing Liu para voltar ao lugar mais alto do pódio paralímpico. Com 12s03, a chinesa quebrou o recorde asiático e fez sua melhor marca pessoal, apenas dois centésimos abaixo do recorde mundial de Terezinha.

 

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